Os Móveis Coloniais de Acaju iniciaram, na última segunda-feira, as gravações de seu primeiro CD de longa duração, logo após os Raimundos encerravam a gravação de seu novo disco. O produtor de ambos os artistas é o mesmo, Rafael Ramos. No repertório dos Móveis estarão 12 faixas, “escolhidas carinhosamente entre o repertório recente dos shows da banda, além de músicas inéditas para o público em geral”, adiantou o guitarrista Leo Bursztyn.
O registro está sendo feito no Rio de Janeiro, nos estúdios da Deck Disc, sob os cuidados do produtor carioca Rafael Ramos. Rafael é filho do produtor João Augusto (dono da Deck, ex-produtor de Marina Lima e que foi responsável pelo lançamento da Banda 69, daqui de Brasília, com a música Papo Sério, na coletânea Os Intocáveis (1986), que apresentou também o Capital Inicial).
Antes de enveredar pela produção, área em que vem se destacando por trabalhos com Matanza, Pitty, João Donato, Los Hermanos, Dead Fish e Ultraje a Rigor, entre outros artistas, Rafael Ramos foi o responsável pela conratação, na EMI-Odeon, dos Mamonas Assassinas. Foi ele quem influenciou o pai, João Augusto, que dirigia aquela gravadora à época. Nessa ocasião, Rafael era baterista e vocalista da banda Baba Cósmica.
Com destaque em Brasília e Goiânia, por onde se apresentaram por festivais como Brasília Music Festival (2003), Bananada (2003 e 2004) e Porão do Rock (2000), os Móveis Coloniais de Acaju estão à procura de novas projeções. “Além de ganharmos maior visibilidade em termos de mercado, não pudemos recusar essa oportunidade proposta pelo Rafael Ramos. Vínhamos atrás de alguém para garantir a qualidade do disco e que tivesse interesse em nosso som”, explicou o flautista Beto Mejía. A previsão é que o disco saia ainda este ano, em dezembro. Beto lembra que, apesar de utilizarem a estrutura da Deck, o lançamento do CD será independente. “Contamos com o apoio do FAC (Fundo da Arte e da Cultura do DF) e estamos atrás de outros investidores”, acrescentou o flautista.
A maior surpresa do pop brasiliense nos últimos anos, revelação no Brasília Music Festival em 2003, os Móveis fazem uma música rica em misturas. O estilo da banda era classificado por seus integrantes como uma “feijoada búlgara”: o rock aliado a influências de ska, swing, música brasileira, klezmer judaico, balalaica e outros ritmos. Eles garantem que, apesar das diversas influências (a banda possui nove integrantes), o som é “extremamente coeso”.