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Mago da ilustração em Brasília

Arquivo Geral

28/06/2004 0h00

Ted Nasmith pode não ser um nome popular, mas qualquer um dos fanáticos seguidores da literatura tolkienana conhece, ao menos, seu trabalho perfeccionista como ilustração das obras O Senhor dos Anéis, O Hobbit e, mais recentemente, da nova edição de O Silmarillion. Juntamente com John Howe e Allan Lee, o canadense Nasmith sagrou-se um dos grandes desenhistas do universo ficcional do mestre sul-africano da fantasia John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) e, hoje à tarde, compartilha seu know-how e excelência com os fãs brasilienses no auditório do UniCeub, em palestra aberta ao público, com entrada franca.

Depois de ganhar elogios do autor da trilogia sobre o Anel de Sauron, em 1971, Nasmith começou a profissionalizar seus traços para se aproximar cada vez mais das linhas imaginárias versadas por Tolkien. A obra do escritor, radicado desde seus quatro anos na Inglaterra, já foi transfigurada para desenhos por 23 ilustradores, além do próprio escritor. No ano de 1987, quatro trabalhos do canadense figuraram no Tolkiens Calendar. Em 1990, repetiu a façanha, que rendeu ainda os catálogos de imagens de 2002, 2003 e deste ano.

Apesar de as edições brasileiras da literatura de Tolkien não conterem ilustrações internas, muitas das imagens desenvolvidas por nomes como o de Ted ganharam as páginas das mais recentes edições internacionais. Além disso, as pinturas – algumas realmente excepcionais – serviram de inspiração inclusive para marcantes cenas do filme de Peter Jackson. Detalhe: Nasmith ainda não assistiu à trilogia na tela.

Em entrevista publicada no site Dúvendor (www.duvendor.hpg.ig.com.br, em homenagem a J.R.R. Tolkien), Nasmith conta como tudo começou. Em 1971, o ilustrador enviou uma carta com fotografias e suas pinturas para o então professor de literatura inglesa Tolkien. “Não pude enviar diretamente, já que seu endereço era um segredo bem guardado pela editora, então enviei a carta para Allen & Unwin (os editores)”, lembra o artista de 49 anos.

Semanas depois, chegaria por correspondência a resposta de Tolkien a Ted. Na carta, datilografada, o autor comentava que gostara da pintura dos anões, do mago Gandalf e do hobbit Bilbo Bolseiro. “Mas ele também disse que meu Bilbo era muito pequeno e de membros desproporcionais, e lembrava mais uma criança do que um hobbit”, lembra o ilustrador canadense.

O trabalho de Ted Nasmith particularmente ganhou maior projeção com uma série de desenhos que desenvolveu em cima de O Silmarillion, um livro que nunca havia sido muito bem ilustrado. “Além disso, poucos desenhos a respeito tinham sido publicados, e a maioria era de má qualidade”, ressalta. Foi quando Ted sugeriu à Jane Johnson, da editora Harper Collins, editar suas ilustrações sobre as Eras de Arda de Tolkien, sem texto algum. Para surpresa de Nasmith, os esboços impressionaram o bastante para levar a editora a publicar uma edição ilustrada do livro, que chega às livrarias em outubro.

Nasmith hoje começa a pensar em desenvolver o que será uma das mais complicadas cenas para se traduzir na ponta do lápis: “Pretendo pintar a cena descrita por Tolkien em O Retorno do Rei da nuvem escura de Sauron sobre o Portão de Morannon na última batalha. Neste momento, estou decidindo como seriam os detalhes desta ilustração”. Outro projeto que vaga pela mente criativa de Ted Nasmith é preparar os desenhos para Os Contos Inacabados, também de Tolkien, o qual nunca teve uma edição ilustrada lançada por qualquer editora.

Algumas das principais ilustrações de Ted sobre as histórias de Tolkien são os desenhos de O Vale de Rivendell, As Últimas Palavras de Boromir, Tom Bombadil e o Velho Carvalho, A Senhora Galadriel e Éowyn e o Nazgûl. A pintura de Rivendell é, para o ilustrador, a sua preferida. “Levei meses para concluir”, confidenciou ao Dúvendor. “Deliberadamente, coloquei naquela pintura um nível de detalhes que nunca havia utilizado antes”.

Sobre a obra de Tolkien, Nasmith acredita que suas descrições criaram toda uma comunidade de artistas. Existe uma gama de variedade de estilos e escolas de desenho que interpretam o trabalho de Tolkien. Os que, segundo Ted, embarcaram em um trabalho sério ao redor das obras do escritor, alimentam um ao outro com suas visões e trabalhos. “Todos nos influenciamos numa espécie de circuito fechado de desenho”, detalha.

serviço

Ted Nasmith – Palestra com o ilustrador canadense da obra de J.R.R. Tolkien. Hoje, às 14h, no auditório do bloco 1 do UniCeub (707 Norte). Entrada franca.

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    28/06/2004 0h00

    Ted Nasmith pode não ser um nome popular, mas qualquer um dos fanáticos seguidores da literatura tolkienana conhece, ao menos, seu trabalho perfeccionista como ilustração das obras O Senhor dos Anéis, O Hobbit e, mais recentemente, da nova edição de O Silmarillion. Juntamente com John Howe e Allan Lee, o canadense Nasmith sagrou-se um dos grandes desenhistas do universo ficcional do mestre sul-africano da fantasia John Ronald Reuel Tolkien (1892-1973) e, hoje à tarde, compartilha seu know-how e excelência com os fãs brasilienses no auditório do UniCeub, em palestra aberta ao público, com entrada franca.

    Depois de ganhar elogios do autor da trilogia sobre o Anel de Sauron, em 1971, Nasmith começou a profissionalizar seus traços para se aproximar cada vez mais das linhas imaginárias versadas por Tolkien. A obra do escritor, radicado desde seus quatro anos na Inglaterra, já foi transfigurada para desenhos por 23 ilustradores, além do próprio escritor. No ano de 1987, quatro trabalhos do canadense figuraram no Tolkiens Calendar. Em 1990, repetiu a façanha, que rendeu ainda os catálogos de imagens de 2002, 2003 e deste ano.

    Apesar de as edições brasileiras da literatura de Tolkien não conterem ilustrações internas, muitas das imagens desenvolvidas por nomes como o de Ted ganharam as páginas das mais recentes edições internacionais. Além disso, as pinturas – algumas realmente excepcionais – serviram de inspiração inclusive para marcantes cenas do filme de Peter Jackson. Detalhe: Nasmith ainda não assistiu à trilogia na tela.

    Em entrevista publicada no site Dúvendor (www.duvendor.hpg.ig.com.br, em homenagem a J.R.R. Tolkien), Nasmith conta como tudo começou. Em 1971, o ilustrador enviou uma carta com fotografias e suas pinturas para o então professor de literatura inglesa Tolkien. “Não pude enviar diretamente, já que seu endereço era um segredo bem guardado pela editora, então enviei a carta para Allen & Unwin (os editores)”, lembra o artista de 49 anos.

    Semanas depois, chegaria por correspondência a resposta de Tolkien a Ted. Na carta, datilografada, o autor comentava que gostara da pintura dos anões, do mago Gandalf e do hobbit Bilbo Bolseiro. “Mas ele também disse que meu Bilbo era muito pequeno e de membros desproporcionais, e lembrava mais uma criança do que um hobbit”, lembra o ilustrador canadense.

    O trabalho de Ted Nasmith particularmente ganhou maior projeção com uma série de desenhos que desenvolveu em cima de O Silmarillion, um livro que nunca havia sido muito bem ilustrado. “Além disso, poucos desenhos a respeito tinham sido publicados, e a maioria era de má qualidade”, ressalta. Foi quando Ted sugeriu à Jane Johnson, da editora Harper Collins, editar suas ilustrações sobre as Eras de Arda de Tolkien, sem texto algum. Para surpresa de Nasmith, os esboços impressionaram o bastante para levar a editora a publicar uma edição ilustrada do livro, que chega às livrarias em outubro.

    Nasmith hoje começa a pensar em desenvolver o que será uma das mais complicadas cenas para se traduzir na ponta do lápis: “Pretendo pintar a cena descrita por Tolkien em O Retorno do Rei da nuvem escura de Sauron sobre o Portão de Morannon na última batalha. Neste momento, estou decidindo como seriam os detalhes desta ilustração”. Outro projeto que vaga pela mente criativa de Ted Nasmith é preparar os desenhos para Os Contos Inacabados, também de Tolkien, o qual nunca teve uma edição ilustrada lançada por qualquer editora.

    Algumas das principais ilustrações de Ted sobre as histórias de Tolkien são os desenhos de O Vale de Rivendell, As Últimas Palavras de Boromir, Tom Bombadil e o Velho Carvalho, A Senhora Galadriel e Éowyn e o Nazgûl. A pintura de Rivendell é, para o ilustrador, a sua preferida. “Levei meses para concluir”, confidenciou ao Dúvendor. “Deliberadamente, coloquei naquela pintura um nível de detalhes que nunca havia utilizado antes”.

    Sobre a obra de Tolkien, Nasmith acredita que suas descrições criaram toda uma comunidade de artistas. Existe uma gama de variedade de estilos e escolas de desenho que interpretam o trabalho de Tolkien. Os que, segundo Ted, embarcaram em um trabalho sério ao redor das obras do escritor, alimentam um ao outro com suas visões e trabalhos. “Todos nos influenciamos numa espécie de circuito fechado de desenho”, detalha.

    serviço

    Ted Nasmith – Palestra com o ilustrador canadense da obra de J.R.R. Tolkien. Hoje, às 14h, no auditório do bloco 1 do UniCeub (707 Norte). Entrada franca.

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