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Lucy e The Popsonics lança primeiro CD na Landscape

Arquivo Geral

06/07/2007 0h00

A banda Lucy & The Popsonics vai lançar seu primeiro CD, com show esta sexta-feira, no Landscape. Confira abaixo um bate papo entre a banda e o repórter Pedro Brandt, do Jornal de Brasília.

Vocês são uma das bandas brasilienses que, atualmente, mais recebem convites para tocar em outras cidades. Essa boa recepção do público de fora de Brasília surpreendeu vocês? E como vocês conseguiram tanto respaldo do público de outras cidades?

Fernanda: A nossa maior e mais eficiente forma de divulgação é o show. Os convites surgem porque as pessoas buscam coisas novas. Nós somos atuais, bonitos e fáceis.

Pil: Nós trabalhamos a banda. Não nos restringimos a trabalhar as canções. Acho que o respaldo vem de tudo. Desde o conceito à execução. Não queremos ter apenas as melhores músicas, queremos as melhores roupas, o melhor trabalho gráfico (foto, material de divulgação, site, encarte). Consumimos o belo. Queremos nos auto-consumir e ter legitimidade para dizer: “Cara, é bonito”. Nosso trabalho na retaguarda tem o objetivo de despertar o interesse em nos ouvir, nos ver tocar. A partir desse ponto, o que conta é a música. Não dá para se vender algo que seja ruim também, né? Fazemos músicas que gostamos de ouvir. Morro de vontade de nos ver em um show. Ter uma visão de terceiro, isento. Seria curioso. Acho que funcionamos bem no palco, mesmo sendo dois. Na pior das hipóteses, despertamos curiosidade.

E em Brasília, como tem sido a aceitação do som da banda? Vocês acham que já têm um público considerável na cidade?

Fernanda: Aqui em Brasília somos mais novos e atuais ainda. Somos mais fortes entre o público indie. O público geral ainda está nos conhecendo. A aceitação é uma coisa que precisa de tempo. Nós somos diferentes e temos noção disso. Não consigo avaliar números. Sou da área de humanas (risos). Mas o que tenho notado é que o reconhecimento cresce a cada dia. Nós temos a função de promover algo novo para a cidade. Isso não acontece da noite pro dia. As coisas estão acontecendo, mais bandas e pessoas interessadas em renovar na cidade. Brasília ainda sofre do não-progresso. As coisas precisam mudar e queremos fazer isso. Estamos dando a cara pra bater!

E por falar nisso, como vocês avaliam o cenário brasiliense quanto a participação do público?

Fernanda: O público brasiliense geral não está concatenado com as coisas que acontecem no mundo. Se isso é culpa da Chapada ou do Vale do Amanhecer eu não sei. Queremos mudar isso! Dá-lhe injeção de sintetizadores e guitarras!

Pil: Por outro lado, em Brasília, existe uma galera na busca de coisas novas. Pelo menos, no meio que freqüentamos, se percebe que as pessoas são especializadas em novidades. E vejo que não há preconceito musical entre essas pessoas. É lógico que poucos gostam de se arriscar com medo do famoso “hype”. Como se fosse uma prevenção. Para evitar opiniões fúteis, efêmeras. Foi esse público que primeiro nos recebeu, muito bem por sinal. Sinto que hoje, muitos ainda estão com um pé atrás. Mas, isso é natural. Nem tudo que é novo é bom e vice-versa de revestrese-avesso-e-ponta-cabeça também.

Há uma notável diferença no som da demo e no som do disco, principalmente no trabalho da Lucy (as baterias e os barulhinhos eletrônicos). Esse up-grande sonoro foi algo que vocês já buscavam ou aconteceu mais pelo envolvimento do Zepedro e do Rafa na produção?

Fernanda: Buscávamos isso há muito tempo. Só que sofríamos do problema da falta de tempo e vício nas programações. Nós fizemos 50 shows no ano passado. Não tínhamos muito tempo dedicado à produção. O envolvimento com eles foi muito importante também porque eles entendem muito de sintetizadores e teclados. A outra questão é que sabíamos onde queríamos
chegar, mas não sabíamos como fazer porque, afinal, eram mais de dez meses tocando constantemente todas aquelas músicas. Viciamos nas baterias antigas.

Pil: A participação deles foi fundamental. Teria sido completamente diferente se trabalhássemos com outras pessoas. No início do processo, tínhamos um medo: caramba, nosso disco pode sair metade eletro, metade rocker. Metade mesmo, tipo da faixa 01 a 04, eletro, e da faixa 05 a 08, rock. O Zé e o Rafa foram imprescindíveis para darmos uma unicidade na história toda. Além disso, estávamos na mesma “vibe”. Eles entendiam a proposta da banda e nossos objetivos. Sabiam onde queríamos chegar. No final, foram poucas discordâncias. Cedemos quando foi preciso e o mesmo aconteceu por parte deles. 

Lançar um disco este ano já estava nos planos? Ou foi resultado de convites de selos?

Fernanda: Lançar um disco é uma decisão muito mais difícil e arriscada nos dias de hoje. Discutimos muito sobre isso e foi algo nosso mesmo. O disco é uma questão de mercado. Funciona a dar um passo adiante, dá um status. Sabemos que é uma regra velha e defasada, mas tentamos combinar com as estratégias que funcionam mais hoje, como shows, MySpace e TramaVirtual. Convite de selos sempre existiram no nosso caso. Desde os primeiros shows.
Foram vários selos. Selecionamos a dedo e conforme o que queríamos. A banda não pode perder as rédeas do seu próprio destino. Não pode entregá-las definitivamente a outros, nem a produtores e nem a selos. Tudo deve acontecer em conjunto. Acho que esse é o nosso verdadeiro diferencial. Nós somos e vivemos o Lucy And The Popsonics.

Pil: Acabou sendo uma concessão nossa, mesmo. Não tínhamos interesse em trabalhar nesse formato. Hoje existem inúmeras formas de se consumir música. Nós não ouvimos álbuns. Ouvimos músicas, soltas, singles, remixes… Pretendíamos trabalhar assim. Com foco na internet. Porém, ao analisar, vejo que um disco (apesar do nosso ser curto) abre muitos caminhos. O mercado entende assim. Como estamos em um momento de transição, tivemos que pegar a “velha” onda.

E por que um disco tão curtinho?

Fernanda: Por vários motivos. O principal deles é que não gostamos de encher lingüiça como acontece comumente no meio. Eu não escuto um disco de 12 faixas por nada. Eu baixo ou compro, seleciono e jogo no meu playlist. Essa é a forma mais atual que conheço de consumo musical. No meu playlist entram todas as músicas do disco não porque é meu, mas porque eu realmente curto. Um dos motivos mais cruciais é que o mundo está muito pequeno e rápido para um The Wall (disco duplo do Pink Floyd). Vivemos uma nova era e vamos celebrá-la como deve ser!

Bandas brasileiras com sonoridades influenciadas por rock e eletrônica (como Bonde do Rolê e Cansei de Ser Sexy) têm conseguido espaço e reconhecimento no exterior. Se surgisse uma oportunidade para vocês tentarem a sorte na gringa vocês topariam?

Fernanda: Estamos indo para Portugal agora no segundo semestre. Vamos rodar todo o país. Já temos convites para outros lugares também. Mas tudo isso precisa de mais planejamento.

Pil: Queremos fazer bons shows nessa ida a Portugal. Se mandarmos bem, surgirão convites nem que seja para voltar. A gente tem gostado bastante da estrada. No dia que ela se tornar financeiramente sustentável, tenho certeza que optaremos por ela.

As letras de vocês são niilistas, às vezes non-sense. Qual o papel das letras no som da banda?

Fernanda: As mensagens não precisam de conteúdo, dicionário ou afins. Odeio o preciosismo e não vejo a hora de enterrá-lo definitivamente. Se quiser passar conteúdo, tente os livros, os jornais e blogs. Tanto lugar pra se mostrar a realidade. Não vejo sentido em se divertir com letras políticas ou amorosas. Elas são desnecessárias. Nós não precisamos de mensagens muito complexas para fazer sexo.

Pil: A gente não tem compromissos em passar mensagens pelas letras. Normalmente, falamos do universo pop. Cantamos sobre coisas que vivenciamos diariamente. Mas, mesmo assim, as frases não são desconexas, dadaístas. Gosto de muito coisa que escrevemos. Eu Quero Ser Seu Tamagochi e Chick Chick Boom têm boas letras. O significado pode não estar latente, na cara,
mas rola sim. A Fernanda tem razão pois não somos preciosistas, parnasianos. Nem somos engajados, nem poetas. Se você abrir um sorriso ou “chacoalhar o esqueleto” seja por conta da música ou da letra, já tá valendo!

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