A traição dentro de um casamento pode ser perdoada? Não se o marido traído for Ted Crawford, personagem interpretado por Anthony Hopkins no filme Um Crime de Mestre. O longa coloca de volta Hopkins no papel de vilão em um personagem bem no estilo de outros, como Hannibal Lecter, que lhe deu o Oscar por O Silêncio dos Inocentes.
Ted Crawford é um homem rico, de fala suave, bom nível de conhecimento cultural e educação digna de uma corte real até que descobre que sua esposa, Jennifer (Embeth Davidtz), está tendo um caso amoroso com o policial Robert Nunally (Billy Burke). Enfurecido, Ted espera a esposa chegar em casa e comete um crime que, para ele, seria um ato perfeito para a vingança, já que o policial Nunally seria chamado para atender o caso. Ele acaba prendendo Crawford mais por ódio, em ver a amante ferida, do que pelo cumprimento da lei.
A história toda gira em torno de conquistas e vaidades pessoais. Crawford quer se vingar por ter sido traído, Nunally quer que ele (Crawford) seja preso por ter deixado Jennifer em coma em uma situação quase irreversível e o jovem promotor William Beachum (Ryan Gosling), que trabalha para o governo e tem em seu currículo 97% de vitórias em tribunais, quer manter o status que garantiu o reconhecimento de uma respeitada empresa de advocacia. Ele assume o caso pensando ser apenas um simples crime passional no qual o suspeito já confessou a autoria do crime e que a provável condenação do réu fecharia a carreira na promotoria pública com méritos.
Porém Crawford é um personagem típico de Anthony Hopkins e, com muita astúcia, ele reverte uma situação de uma condenação certa para o questionamento da conduta ética de Nunally, que prendeu e conseguiu uma suposta confissão de Crawford.
O enredo é bem costurado, mesmo com pequenos trechos que extrapolam o tempo necessário para acrescentar algo para a história. Os conflitos pessoais e atitudes questionáveis sob o ponto de vista da ética profissional, explorados por Gregory Hoblit, diretor do filme, ocupam parte destes momentos.
Pena que o desfecho da história acabe caindo em um clichê utilizado em muitos filmes de investigação policial. Mas nada que não coloque o longa na lista de bons filmes estrelados por Hopkins. Depois de tanta esperteza (e, principalmente, ironia) de um personagem tão inteligente quanto o lendário Hannibal Lecter, alguns podem se perguntar se existe um crime perfeito. Bem, Um Crime de Mestre certamente não responde a questão por inteiro, mas pode ser uma ótima demonstração da resposta.