Menu
Promoções

<i>Tropa de Elite</i>: uma ficção real

Arquivo Geral

11/10/2007 0h00

O filme dirigido por José Padilha, com a estréia para sexta-feira e algumas sessões de pré-estréia nesta quinta-feira, é instigante, salta aos olhos, e deixa o espectador com um gosto de “vingança feita” nos lábios – mesmo que esse não seja o propósito do longa. Isso porque não há bandidos ou mocinhos no roteiro de Bráulio Mantovani (Cidade de Deus).

De uma forma corajosa, a produção mostra como funciona de perto a polícia do Rio de Janeiro (PM e Bope – Batalhão de Operações Especiais), o Estado e a sociedade. E a relação que existe entre eles, corrupta ou não, violenta ou não. O jeitão Jack Bauer (mocinho do seriado policial 24 Horas) dos oficiais do Bope empolga, mas também não deixa de carregar seus pecados, bem como a PM que promove a extorsão, o traficante que faz do morro uma fábrica do crime e o “classe média” que financia essa máquina (mesmo sem saber – e aí está uma das grandes lições do filme).

Mesmo que costumeiramente não se preste atenção às questões técnicas, é fácil perceber a maneira de filmar de Padilha e de Lula Carvalho (fotografia). O filme é quase todo feito com câmera na mão, sem tripé, o que dá ao longa um estilo documental interessante. Nada como Bruxa de Blair, com seus planos em primeira pessoa ou algo parecido. Tudo na dose certa. E os atores também atuaram mais soltos, pois quase não havia marcação em cena (eles tiveram uma certa liberdade na hora de atuar).

Há de se destacar também a atuação de Wagner Moura, que encarna o Capitão Nascimento, protagonista da história. O ator ficou conhecido como o vilão global Olavo (da novela Paraíso Tropical), mas revela em Tropa de Elite que tem muito a nos mostrar. Ele, assim como toda a trupe de atores, participou do treinamento real do Bope – e muitos deles desistiram no caminho, assim como acontece na realidade, quando policiais almejam entrar para a elite. As atuações, o roteiro, a câmera, tudo isso, torna o longa-metragem de Padilha uma das ficções mais reais já realizadas na sétima arte nacional.

Há também a participação de Phil Nielson, coordenador de dublês de Falcão Negro em Perigo, de Ridley Scott. O norte-americano foi chamado pelo diretor para ajudar a desenvolver as cenas de ação, marcantes nesta produção. O cinema brasileiro está se tornando, definitivamente, gente grande.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado