Menu
Promoções

<i>Sweeney Todd</i>: Johnny Depp estrela musical no tom de sangue

Arquivo Geral

08/02/2008 0h00

Não há como falar na versão cionematográfica de Tim Burton para o musical gótico da Broadway Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet sem lembrar de, pelo menos, um marco na filmografia do cineasta sombrio de Hollywood, Edward Mãos de Tesoura.

A primeira evidência personifica-se na figura de Johnny Depp, no papel que  rendeu a ele indicação ao Oscar de melhor ator neste ano. O ator de tipos perturbados consegue outro para sua coleção – e outro de Tim Burton, que há dois anos o vestira de Willy Wonka para a nova Fantástica Fábrica de Chocolate, mas que em 1990 tocou o céu com o formoso drama de um rapaz que tinha perigosos canivetes suíços no lugar das mãos.

Em Sweeney Todd, Burton e Depp retocam a maquiagem do gentil Edward e reproduzem o estilo dark sanguinolento de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça (2000) para compor a trágica história do psicótico personagem-título – criado em linhas melódicas e sombrias  pelo músico e dramaturgo Stephen Sondheim para os palcos.

A maior referência ao Mãos de Tesoura está na parceria de Burton e Depp, no visual gótico e sustentado por uma sarcástica frase proferida pelo protagonista às suas “amigas” navalhas: “Agora, meus braços estão completos.”

A navalha, no filme, é a arma com a qual Sweeney Todd vai saborear sua vingança entre esguichos de sangue de tinta fresca – de textura idêntica à muito bem utilizada maquiagem de A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça.

O porquê é entregue ao espectador entre flashbacks, quando o jovem e ingênuo barbeiro Benjamin Barker, casado com uma bela garota e pai de uma filha recém-nascida, é alvo da ganância do juiz Turpin (Alan Rickman, o professor Snape de Harry Potter), que dá ordem de prisão a ele somente para “consolar” sua esposa.

Passados 15 anos, Barker assume a identidade de Sweeney Todd e volta à Rua Fleet do título. Aluga o velho sótão onde morava a estranha Sra. Lovett (papel da esposa de Tim Burton, Helena Bonham Carter), uma solteirona que tem a fama de fazer as piores tortas da cidade – graças à escassez de carne em Londres, seus recheios usam, entre outras coisas, baratas e indescritíveis gosmas de tom acizentado.

Musical
Aliás, o cinza é a arma que Burton manipula mais uma vez para dar cor ao clima depressivo de seus cenários. Os fãs não se incomodam, mas o abuso dos contrastes fotográficos de Burton e sua paixão nada secreta por trabalhar com Johnny Depp configuram um certo clichê próprio do cineasta – os mais fanáticos entendem como estilo.

O que disfarça essa certa repetição em Sweeney Todd, ganha tons, de originalidade ao ser revestido de um formato musical. Os temas cantados valorizam as cores opacas e, ao mesmo tempo, minimizam a sordidez dos temas  na trama. O melhor exemplo é a sociedade tórrida que Todd fecha com Sra. Lovett: ele convida clientes para fazer a barba gratuitamente, corta o pescoço deles e o envia para o frigorífico no porão, onde a carne humana será processada para  rechear as tortas. Afinal, segundo Lovett, seria um desperdício enterrar os cadáveres.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado