Abadalação em torno do novo filme Piratas do Caribe: O Baú da Morte, é justa. A aventura fantasmagórica em alto-mar, extraída pelo diretor Gore Verbinski de uma das atrações dos parques temáticos da Disney, imprime o ritmo ideal para o gênero e concilia – novamente muito bem – romance e divertidas coreografias de lutas de espada com piratas monstruosos que só não podem ser levados muito a sério graças ao tom cômico imposto pelo protagonista da série, capitão Jack Sparrow (o desajustado e bêbado anti-herói interpretado com brilhantismo por Johnny Depp).
Contudo, é bom que o espectador se previna quanto ao que irá encontrar neste segundo filme do que será, certamente, uma trilogia. Nas seqüências finais das duas horas e meia de fita será natural perguntar-se como Verbinski pretende encerrar a trama – naturalmente, o cinema pipoca exige que os conflitos se resolvam, os mocinhos se salvem e os bandidos amarguem a derrota. A resposta está no último brinde da tripulação do Pérola Negra (embarcação de Sparrow): "Até o fim do mundo", frase que define o subtítulo do próximo Piratas do Caribe, programado para fechar a trilogia no ano que vem.
Esse final em aberto pode agradar a uns e deixar outros em êxtase. Mas a aventura proposta até lá vale o ingresso para ambos. Isto é, se o espectador não exige de O Baú da Morte uma fórmula muito distinta do original, A Maldição do Pérola Negra, de 2003. O capítulo intermediário da trilogia entende perfeitamente que o sucesso da franquia depende, sobretudo, das gags de Sparrow e da ótima finalização técnica – de efeitos especiais, som, fotografia e maquiagem –, que renderam justas indicações ao Oscar.
A vilania da história fica por conta de uma nova trupe de piratas nojentos liderados pelo homem-polvo Davy Jones (Bill Nighy), novo rival do governador Swann, o poderoso político Cutler Beckett (Tom Hollander) que arruina o casamento do herói Will Turner (Orlando Bloom) com a mocinha Elizabeth (Keira Knightley) para pôr suas mãos num baú onde jaz o coração ainda pulsante de Jones.