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<i>Os Demônios</i>, de Dostoiévski, chega ao CCBB

Arquivo Geral

10/05/2007 0h00

Revoluções frustradas, atentados, terrorismo. Esses temas assustam não só pela violência que os rodeiam, mas também pela atualidade. Quem viveu o ataque de 11 de setembro há apenas seis anos tem dificuldade em imaginar que o escritor Fiodor Dostoiévski já previa situação semelhante em 1872, com seu romance Os Demônios, que chega ao teatro neste dia 10 pelas mãos dos diretores Antônio Abujamra e Hugo Rodas, no Centro Cultural do Banco do Brasil.

Apesar de a história girar em torno de demônios, a idéia do espetáculo não passou de uma bendita casualidade. “O Abujamra estava em Brasília para gravar o seu programa Provocações. Em uma conversa, ele brincou que a última coisa que gostaria de dirigir em sua vida era esse texto de Dostoiévski. Ao ouvir isso, o Guilherme Reis fez o projeto e inscreveu no CCBB. O projeto foi escolhido e aí não teve mais jeito”, conta Hugo Rodas, que dirigiu a peça junto com Abujamra.

Na livre adaptação das quase mil páginas do romance, Abujamra optou por manter a fidelidade à obra. Inspirada em uma revolução mal sucedida, que aconteceu no ano de 1869, na Rússia, Dostoievski criou um cenário de crise, em que ele discute religião, moral e a conduta da sociedade nesses momentos.

Os personagens da história estão entre os mais complexos que o escritor russo já criou. O líder revolucionário Nicolas Stavroguine, o idealista Chatov, o ardiloso e despótico Piotr Verkovenski, o suicida Kirilov, entre outros. Cada um deles carrega diversos demônios dentro de si.

Mas o que mais surpreende não são as perturbações de cada personagem, e, sim, a atualidade delas. O que assusta mesmo é que esses demônios que atormentavam homens do século XIX resistiram ao tempo. “Esse espetáculo pretende mostrar como a humanidade caminhou, caminhou e não mudou nada. É uma vergonha”, explica Hugo Rodas.

Apesar de fazer referências à época em que o texto foi escrito, a peça se mantém atemporal. Rodas, que também foi responsável pelo figurino, explica que escolheu uniformes simples, que se diferenciam pela cor, para reforçar essa questão de flexibilidade temporal da obra. Passado, presente e futuro se misturam aqui.

“A revolução fracassada está no mundo todo. Ela fracassou de todos os lados. No Uruguai, na Bolívia, no Brasil, em Cuba. O que estamos questionando é até quando vai existir esse fracasso. Mas aí já não é trabalho do espetáculo mudar esses rumos”, comenta Hugo.

Outra novidade da montagem é a escolha de um elenco brasiliense. “O Abujamra não conhecia os atores daqui. Mas eu insisti: temos gente boa aqui, temos gente boa aqui e ele viu que realmente tínhamos gente boa na cidade. Fiquei muito orgulhoso disso porque Brasília tem um pessoal maravilhoso”, conta Rodas.

Entre os mais de 20 atores daqui figuram várias gerações de atores, como Bidô Galvão, Sérgio Fidalgo e Alessandro Brandão. Catarina Accioly é uma das prata da casa que faz parte da produção. Ela conta que, apesar de Abujamra não conhecer o elenco, a harmonia se criou muito rapidamente.

“O Abu não nos conhecia, mas logo ele foi se encantando com o elenco”. E ainda conta como foi trabalhar com dois diretores tão reconhecidos no cenário nacional. “Trabalhamos com dois monstros sagrados do teatro brasileiro. E eles se completam muito. A direção em dupla foi ideal. Os dois têm esses demônios muito latentes”, acrescenta a atriz.

Quem ainda não se convenceu a assistir ao espetáculo pode se inspirar no entusiasmo de Hugo Rodas: “Eu estou felicíssimo. Fazia tempo que um trabalho não me fazia tão feliz”. A temporada vai até 3 de junho.

Os Demônios – de 10 de maio a 3 de junho, de quinta a sábado, às 21h; domingo, às 20h. Espetáculo baseado em texto homônimo de Fiodor Dostoiévski. Ingressos a R$ 15 (inteira) e R$ 7,50 (meia). Onde: Teatro do Centro Cultural Banco do Brasil – Brasília.

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