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<i>Notas Sobre um Escândalo</i> aposta no elenco para conquistar o público

Arquivo Geral

02/03/2007 0h00

O frio pode adjetivar um roteiro ao mesmo tempo penetrante e pálido. As duas experiências podem ser vividas pelo espectador diante de Notas Sobre um Escândalo, drama de Richard Eyre (A Bela do Palco), inspirado no romance O Que Ela Estava Pensando: Notas Sobre um Escândalo, da autora inglesa Zoe Heller.

No entanto, a característica afiada da trama, por si só muito frágil, corresponde ao elenco central, capitaneado por uma frígida, intensa e despenteada Judi Dench (Sra. Henderson Apresenta e a agente M, dos mais recentes filmes da franquia 007).

Dench interpreta  Barbara Covett no papel que lhe rendeu indicação ao Oscar: uma professora amargurada, solteirona e homossexual enrustida, na terceira idade. Ela é quem dita o ritmo do filme, a partir das anotações em seu diário. Ao conhecer a novata professora de artes, Sheba Hart (Cate Blanchett, de Babel, também indicada ao prêmio da Academia para atriz coadjuvante), Barbara ainda não revela sua paranóia, mas prepara o espectador com um quê de suspense  para digerir uma personagem extremamente complexa, que faz valer o ingresso.

Barbara aproxima-se de Sheba com evidentes segundas intenções, trava uma amizade que a insere no círculo familiar da jovem professora, casada com um homem mais velho (Bill Nighy, de Piratas do Caribe: O Baú da Morte), com dois filhos adolescentes – um portador de síndrome de Down. O escândalo do título surge quando Sheba, com quase 40 anos, começa um caso com seu aluno de 15 anos Steven Conolly. Barbara flagra e aproveita a oportunidade para manipulá-la.

O jogo de interesses armado pela personagem de Dench é o verdadeiro clímax da trama, que depois prefere seguir receita óbvia e acomodar a história extremamente particular  no envolvimento da imprensa com a vida de Sheba Hart – necessário, mas tira atenção e carga dramática das brilhantes perfomances das duas atrizes.

O roteiro adaptado por Patrick Marber (Closer – Perto Demais), também indicado ao Oscar, resolve-se sem ousadia, arredonda a trama, mas deixa um sabor acre por reduzir a forte linha dramática a um conflito familiar ordinário.

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