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<i>Mutum</i> traz Guimarães Rosa à telona

Arquivo Geral

21/12/2007 0h00

A premiada documentarista Sandra Kogut (Passaporte Húngaro) estréia na ficção com Mutum, filme badalado no Festival Internacional de Cinema de Brasília (FIC) deste ano, no qual adapta o livro Campo Geral, de Guimarães Rosa, para o cinema. O filme foi lançado na Quinzena dos Realizadores, no Festival de Cinema de Cannes deste ano, e foi o grande vencedor do Festival do Rio de Janeiro, em setembro.

Apontado pelo escritor mineiro, falecido em 1967, como seu livro preferido, Campo Geral conta a história de um menino, Miguilim, que vive com sua família num lugar chamado de Mutum.

O garoto mora com os pais, os irmãos e a avó, no meio do sertão de Minas Gerais. Embora exista uma narrativa de formato convencional, o que soma força são as experiências do menino, que nem sempre sabe interpretar os fatos do mundo adulto.

Em Mutum, o protagonista atende pelo nome de Thiago (Thiago da Silva Mariz). O universo rural, rude e isolado é filtrado por sua sensibilidade – não apenas visual, mas também sonora.

O garoto não compreende bem o mundo adulto. Seu grande encanto é a ingenuidade. Quando volta da crisma na cidade grande, ele traz um presente para os irmãos: fotos de mulheres nuas, achando que são imagens de santas.

Mais tarde, Thiago assiste a uma briga entre o pai (João Miguel, de Cinema, Aspirinas e Urubus) e a mãe (Izadora Fernandes). Sentindo-se incapaz de resolver o conflito, o menino chora. O irmão mais novo, Felipe (Wallison Felipe Leal Barroso), adoece, e, novamente, Thiago não consegue fazer nada. A trajetória do menino vai sendo guiada por esses momentos de impotência que o fragilizam, fortalecendo seu processo de amadurecimento.

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