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<i>Meu Nome não É Johnny</i> complementa trajetória de <i>Tropa de Elite</i>

Arquivo Geral

04/01/2008 0h00

No início dos anos 90, “a cocaína tinha entrado na corrente sangüínea da cidade”, escreve o jornalista Guilherme Fiuza em seu livro-reportagem Meu Nome Não É Johnny. Esta circulação, que conduziu um jovem de classe média a satisfazer sua ambição de ascensão pela via única do tráfico, ganha cores e sons ainda à altura na versão para o cinema, com o protagonista Selton Mello.

Para quem não se identificou apenas com o desejo de extermínio do capitão Nascimento em Tropa de EliteMeu Nome não É Johnny torna ainda mais claro como funciona o outro pólo de uma história conhecida, em que muito crime combina com pouco castigo. Sem se deter demasiado em interpretações sociológicas, o filme acaba por enfatizar a “polêmica” da participação da classe média enquanto cúmplice na ascensão do tráfico no Rio de Janeiro nas últimas décadas.

De modo menos ambicioso que Tropa, que tenta esboçar o mecanismo desta cumplicidade “inconsciente” ao denunciar sua base mercantil, Johnny expõe mais o poder econômico de transformação social da droga ao se concentrar na trajetória de seu personagem central.

A ficção limpa a barra do espectador, para o qual a trajetória de ascensão e queda de João Estrella é oferecida dentro dos critérios da narrativa clássica, com lição de moral, culpa e redenção. Para quem se queixa que o cinema brasileiro só mostra sertanejo e favelado, vem suprir a falta de um personagem à sua imagem e semelhança.

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