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<i>Mandando Bala</i> é uma das melhores surpresas cinematográficas do ano

Arquivo Geral

09/11/2007 0h00

Cineasta de carreira tardia e filmografia irregular, o inglês Michael Davis, 46 anos, é uma figura quase desconhecida, mas acaba de assinar seu ingresso na Escola Tarantino de estilo. Davis dirigiu algumas comédias adolescentes (entre elas, 100 Garotas), o “adrenalinado” terror Monster Man (2003) e, agora, parte para briga de gente grande à frente do ótimo Mandando Bala, uma das melhores surpresas do cinema de ação do ano.

O thriller pouco convencional, um bangue-bangue pós-moderno, apresenta seu herói na primeira seqüência. Seu nome: Sr. Smith, personagem carrancudo do inglês Clive Owen (Sin City, Rei Arthur e Filhos da Esperança). Mastiga uma cenoura crua sentado numa parada de ônibus, ouve os gritos de socorro de uma mulher grávida perseguida por mercenários, reclama, mas resolve ajudar.

Ele mesmo não porta armas – o espectador perceberá que o Sr. Smith é, aliás, radicalmente a favor do desarmamento. Munido de sua cenoura, perfura o crânio de um dos vilões, se apropria de sua arma de fogo e salva a mulher. Os tiroteios apenas começaram. Passam os 20 minutos de película e um sem-número de cartuchos de bala se espalharam pelo chão.

É no meio desse fogo cruzado que Sr. Smith faz o parto da mulher, em seguida assassinada, encontra uma ama de leite para o bebê (a prostituta DQ, vivida pela beldade italiana Monica Belucci) e provoca a ira do grande vilão do filme, ironicamente caricato pelo bom Paul Giamatti (Sideways), um psicótico mercenário infanticida, tratado pela esposa com rédea curta.

Com Mandando Bala, Davis reserva um assento no seleto círculo de reinventores da subcultura pop cinematográfica, ao lado de Tarantino e Robert Rodriguez – apesar de ambos derivarem de outras escolas de estilo e da estética cor de sangue (a oriental, sobretudo).

Irreverentemente trágico e comicamente sem sentido, Mandando Bala despreza o senso-comum da ação de justificar as ações de seus personagens, abre mão de maniqueísmos, faz algumas concessões e, por fim, manda seu recado: divirta-se. E porque não fazê-lo com algum estilo?

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