Tudo o que se refere a Homem-Aranha 3 é superlativo. Estima-se que foram gastos US$ 300 milhões na empreitada – o que o torna o filme mais caro da história, sem a correção dos valores –, a turnê de divulgação passou por oito países, os dois primeiros longas arrecadaram mais de US$ 1,6 bilhão em todo o mundo e, claro, a expectativa é que a obra tenha público superior ao dos dois anteriores.
Há expectativa de um novo super-sucesso com o terceiro título da franquia nos cinemas da América (de Norte a Sul), iniciando a era dos blockbusters que, este ano, terá também outro megassucesso anunciado, Piratas do Caribe 3: No Fim do Mundo. A Sony, cujo escritório central fica em Tóquio, fez a première mundial de Homem-Aranha 3 no Japão. Lançou o filme na Ásia no dia 1°. França e Alemanha também viram o desfecho da trilogia do fiilme no mesmo dia.
A explicação é simples: o Japão é hoje o segundo mercado de cinema do mundo e aquele em que o risco de pirataria, por força do desenvolvimento tecnológico, é o maior. Iniciar a carreira do filme no Japão visa a atender a expectativa de um público que não precisará ficar baixando imagens da Internet nem buscar cópias piratas para satisfazer sua curiosidade.
Além das cifras e dos recordes, a história do filme também vem no superlativo. Na atual temporada, são vários os inimigos a combater: Venom, o novo Duende Verde, o Homem-Areia e duas mulheres – Mary Jane e Gwen Stacy, que dividem a atenção do herói. Apesar disso, o pior inimigo do Amigão da Vizinhança no desfecho da trilogia é ele mesmo.
Se as lutas entre o herói e seus rivais são meio bobas, a dupla protagonista está melhor do que nunca. Tobey Maguire é singularmente divertido nas cenas em que Peter abandona o bom moço, adota um visual “emo” e sai pelas ruas. E Kirsten Dunst, nas seqüências dramáticas, mostra ser possível falar em grande atuação em filmes de herói.
Dirigida por Sam Raimi, que assinou os dois primeiros roteiros, a saga começa com Peter Parker (Tobey Maguire) feliz da vida: o namoro com Mary Jane (Dunst) está indo tão bem que ele considera fazer um pedido de casamento; o Homem-Aranha é ídolo na cidade de Nova York e até o seu ex-melhor amigo, Harry Osborn (James Franco), que jurou vingança, perde a memória e se esquece que o amigo é, na verdade, quem ele jurou matar.
Mas o mar de águas tranqüilas vira tsunami quando Parker descobre que o homem que matou o seu tio não é quem ele havia pensado, mas sim Flint Marko (Thomas Haden Church), que conseguiu fugir da cadeia.
Durante a fuga, o criminoso cai acidentalmente em um reator nuclear e adquire a capacidade de se transformar em pó. Nasce, então, o Homem-Areia, vilão praticamente invencível, que será um problema daqueles para o aracnídeo.
Não bastasse isso, um ser alienígena passa a acompanhar Parker e Mary Jane depois de um encontro e se hospeda na casa do herói. Assim, a vida “à paisana’ do Homem-Aranha sofre uma reviravolta. As coisas pioram quando Mary Jane estréia em uma peça, mas é rechaçada pela crítica e demitida.
Fica, então, a pergunta: o novo Homem-Aranha é melhor ou inferior aos anteriores? É mais emocionante. Sam Raimi, seu diretor, transforma o herói teen do primeiro filme num herói ético, na medida em que Peter Parker e seu alter ego aracnídeo precisam combater seu lado escuro, que irrompe quando entra em cena seu arquinêmesis, Venom.
O uniforme negro, com o qual ele se apresenta em boa parte deste filme, confronta o herói com o lado dark de sua personalidade e, de repente, ele está se distanciando das pessoas amadas e se deixando consumir pelo desejo de vingança. Aumenta o número de vilões. Três contra um, mas durante a evolução do filme, o combate ficará equilibrado, dois a dois. Porque Homem-Aranha 3 não deixa de ser uma celebração da amizade e do sacrifício.
São temas essenciais, como a paternidade e o perdão. Peter conheceu em tio Ben seu pai substituto. Harry Osborn vai descobrir o dele e Homem-Areia é só um pai desesperado porque sua filha está morrendo.
Mais uma vez, com tudo o que o filme tem de ação, humor e efeitos, o que importa é o drama. Sam Raimi já disse que a franquia, para ele, só interessa pelo drama das relações entre os personagens que, aqui, ficam mais complicadas. O que houve com nosso herói adolescente favorito? Peter/Homem-Aranha vai ganhar e perder muita coisa. O espectador só ganha, desde que consiga olhar o filme sem preconceito, vendo o que ele tem de inteligente.
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