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<i>Hércules</i> resgata anos de chumbo

Arquivo Geral

01/06/2007 0h00

Exibido originalmente na cerimônia de encerramento do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro do ano passado, Hércules 56, de Silvio Da-Rin, que chega hoje ao Cine Academia, é uma reconstituição cuidadosa do seqüestro do embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, em setembro de 1969, que resultou na libertação de 15 presos políticos. “A mais original e bem-sucedida de todas as idéias da esquerda brasileira nos anos 60” – como escreve o colunista político Elio Gaspari, em A Ditadura Escancarada – foi do ministro da Secretaria de Comunicação, Franklin Martins, que narra o episódio em bate-papo com outros quatro organizadores da ação.

Estruturado a partir da famosa fotografia na qual 13 militantes de esquerda aparecem algemados no aeroporto do Galeão (RJ), o diretor recupera raras imagens de arquivo sobre o desembarque dos brasileiros no México e sua recepção por Fidel Castro. As cenas da época são complementadas por depoimentos dos nove sobreviventes (José Dirceu, Vladimir Palmeira e Flávio Tavares, entre outros), além de vídeos e imagens dos que morreram.

Cada preso conta como recebeu a notícia do seqüestro e as circunstâncias em que foi levado ao Hércules da FAB 2 – Maria Augusta teve a minissaia escolhida por soldados e Mario Zanconato foi transportado no avião do ministro. Flávio Tavares e José Ibrahim relatam o medo de que o aeroporto fosse tomado por militares contrários à soltura dos presos, a angústia pela demora em levantar vôo e a certeza de que o piloto retardou a chegada ao México à espera de uma contra-ordem.

Segundo o historiador Jacob Gorender, o seqüestro do embaixador foi a primeira operação do gênero bem-sucedida no mundo, mas seu custo político foi alto, pois precipitou ofensiva do regime militar que desmantelou quase todos os grupos de esquerda.

O êxito tático da operação não ocultou o fracasso da estratégia guerrilheira: “Foi um desastre. Nós fomos derrotados em toda linha”, afirma Dirceu no filme. Mas, como revela Hércules 56, a opção não surgiu do nada: foi uma resposta à falta de resistência demonstrada pela esquerda ante o golpe de 1964. A desmoralização da pregação do PCB sobre a “transição pacífica’ ao socialismo convenceu a esquerda a pegar em armas.

Apesar da derrota, há quem avalie positivamente tudo o que foi feito. Franklin Martins diz não ter dúvidas de que a guerrilha contribuiu para que o Brasil se tornasse um país melhor. E Flávio Tavares acrescenta: “Nós não fomos para debaixo da cama. Nós demos o melhor que tínhamos: a vida.”

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