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<i>Heaven & Hell</i> leva a rapaziada do metal ao orgasmo em Brasília

Arquivo Geral

14/05/2009 0h00

A pressão é forte. Ali, na turma do gargarejo, continua sendo o melhor lugar para se assistir a um show como o que o Heaven & Hell fez, anteontem à noite, no ginásio Nílson Nélson, em Brasília. A posição ideal para seu corpo tremer, eletrizado com o baixo de Geezer Butler somado à bateria de Vinnie Appice. A guitarra de Tony Iommi tonitroava e Ronnie James Dio regia a
orquestra de milhares de decibéis.

O impacto é profundo. Escrevi aqui, segunda-feira, que Iommi mal se moveria  no palco. Correr, não correu, mas foi de um lado a outro, descontraído, ora com sua JD “destroyed”, ora com a Gibson SG preta “artist series”. Dio cantou barbaramente bem, nos tons altos de antigamente – algo que não se vê no DVD do Radio City Music Hall. Butler fez revezamento com um Lakeland de quatro e um de cinco cordas, sempre atacando com os dedos – em várias músicas do Black Sabbath, ele cai de palheta nas cordas. E Appice tentava compensar a desafinação na caixa da sua DW vermelha nas primeiras músicas.

O começo foi avassalador: “Mob rules” na cara da galera. A audiência veio junto no refrão: “If you listen to fools/ The mooooooob ruuuuuules”. Seguiram-se números dos discos que fizeram ainda sob a égide do Black Sabbath e três números do mais recente CD, “The devil you know – Follow the tears, Bible black”e Fear. A essa altura, quem estava sóbrio curtiu bem mais do que os bobões que encheram a caveira de birita.

No palco, uma banda segura, com milhares de horas de vôo. Dio e Iommi fazem piada um com o outro, prova de que aquela época em que o guitarrista acusou o cantor de mixar sua voz mais alta, no LP “Live evil”, ficou definitivamente no passado. Aliás, Dio parece o dono da banda, a figura principal. Tudo gira em torno daquele sujeitinho magérrimo, de cerca de 1,60m.

Butler, dos quatro, foi o menos simpático. A certa altura vi escapar um bocejo entre uma música e outra. Para quem o viu em 1978, na turnê de 10 anos do Black Sabbath, quase virando cambalhotas; e mesmo em 1992, no Canecão, na turnê do Dehumanizer” ontem parecia um senhor interessado apenas em que as horas corressem. Peso dos anos? É, pode ser.

Appice continua bom funcionário e seu solo, logo na quarta música, foi menos burocrático do que em outras ocasiões. Claro que tem os lugares comuns, mas nada que desabone. Aquela brincadeira com a galera torna interessante aquilo que às vezes é uma chatíssima exibição de técnica. Além do mais, vê-lo tocar conduzindo basicamente no “ride” Sabian, em vez dos “hi-hats” abertos, e a ausência de pedal duplo, remonta a uma época pré-Dave Lombardo e Charlie Benante que muitos já parecem ter esquecido que existiu. Cerca de seis mil felizardos viram esses quatro cavaleiros do após-calipso.

Não foi um show competente, apenas. Foi um showzaço – pequeno, é verdade, para a estatura dos quatro. Mas pode ser que eles nem queiram mais grandes apresentações, arenas e coisa e tal. Platéias menores e mais calorosas são hoje uma tendência. Nesse item, Brasília deu um show. E viu em troca outro excelente.

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