O diretor mexicano Alfonso Cuarón, prestigiado no cinema hollywoodiano por seus dois filmes anteriores E Tua Mãe Também (2001) e a adaptação de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkhaban (2004), coloca um pé no futuro com seu novo trabalho, Filhos da Esperança, que estréia nesta sexta-feira nos cinemas.
O filme, estrelado pelo astro inglês Clive Owen (Plano Perfeito e Rei Arthur) e a norte-americana Julianne Moore (Os Esquecidos e As Horas), é inspirado livremente no romance de P.D. James e se passa no ano de 2027. No entanto, seu caráter futurista não contempla automóveis voadores ou uniformes padronizados. O longa-metragem pretende fazer uma denúncia do mundo atual, projetando no futuro os horrores do presente.
Numa Londres onde as pessoas convivem com lixo e dividem espaço com imigrantes ilegais e militantes islâmicos, um grupo clandestino com perfil de uma seita religiosa planeja um levante. Soldados fortemente armados patrulham a capital inglesa como se fosse uma fortaleza. Refugiados são levados em massa para campos de deportação. Quase 19 anos se passaram desde o nascimento do último bebê.
Contra esse pano de fundo de desespero, o ex-ativista Theodore Faron (Owen) concorda em ajudar a levar uma mulher milagrosamente grávida, Kee (Claire-Hope Ashitey), para um local seguro em alto-mar. O nascimento desse bebê pode ajudar a salvar a humanidade da extinção.
Julianne Moore vive a líder do movimento pelos direitos dos refugiados, Julian Taylor, assim, apóia a ação de Faron em proteger Kee. O ator inglês Michael Keane completa o time de estrelas do filme no papel do velho sábio rebelde Jasper Palmer.
Parte de Filhos da Esperança foi rodado com a técnica da câmera no ombro, porque Alfonso Cuarón queria que o público se sentisse participando da ação. Ele justificou que "o que parece sombrio para nós é o cotidiano de muitas pessoas". Cuarón, então, procura colocar o dedo na ferida e provocar o espectador para uma reflexão sobre direitos humanos, solidariedade e, claro, o futuro não tão distante.