O centro de Brasília, nos corredores de asfalto que ostentam palácios e ministérios ao longo do corpo do avião arquitetado por Lúcio Costa, não deixa transparecer seus contrastes de desigualdade social. Em proporções muito menores que as realidades observadas diante das favelas cariocas e das ocupações urbanas de São Paulo, uma cineasta paulista angulou sua câmera no sentido do Congresso Nacional e, agora, revela a história de sobrevivência de Mário Sérgio Xavier – migrante que, por falta de condições, construiu sua casa sobre uma árvore entre o Palácio do Planalto e o Ministério da Justiça. E ali fez morada.
O Homem da Árvore, curta-metragem de 19 minutos da cineasta Paula Mercedes, dá título à trajetória desse personagem. O filme – inédito na cidade – será exibido hoje, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), dentro da programação do É Tudo Verdade – 12° Festival Internacional de Documentários.
Mário Sérgio deixou as ruas da capital paulista a pé, pegou algumas caronas e encontrou aconchego entre os galhos de uma mangueira da capital federal. “Quero mostrar uma realidade que está ali, estampada na nossa frente; a imagem da casa da árvore em contraste com o Congresso”, esclarece a diretora, que finalizou o projeto “na cara e na coragem, sem dinheiro e com ajuda de amigos, que trabalharam de graça”.
Paula Mercedes trabalhou de continuísta e montadora na minissérie Filhos do Carnaval, do canal pago HBO. No momento, ela trabalha no longa-metragem Revoada, de Zé Umberto, e no filme-seqüência Bellini e o Demônio, baseado no livro homônimo do guitarrista Tony Bellotto (Titãs).
Programação
Antes da sessão de O Homem da Árvore, o festival itinerante de documentários – que passou por São Paulo e Rio de Janeiro em março e segue, em duas semanas, para Porto Alegre (RS) – exibe, às 18h, o longa-metragem armênio-canadense Stone Time Touch, de Garine Torossian. O filme faz medição poética da identidade armênia, construída a partir de várias texturas imagéticas e sonoras de um país abalado por sucessivos terremotos.
O Homem da Árvore será sucedido pelo média-metragem Caroneiros, da brasileira Martina Rupp. A produção narra a história real de seis jovens que percorrem, em dois meses, 18 mil quilômetros da América do Sul a bordo de dois fuscas – sempre entrevistando as pessoas a quem dão carona sobre a identidade latino-americana.
O festival segue, com sessões diárias às 18h e 20h, até domingo, com exibições às 17h e 19h – e apresenta os documentários A Filha do General, da chilena María Elena Wood; Iraque em Fragmentos, do norte-americano James Longley; Handerson e as Horas, do brasileiro Kiko Goifman; Três Camaradas, de Masja Novikova; Diários de Beirute: Verdades, Mentiras e Vídeos, do libanês Mai Masri; Fantasmas de Abu Ghraib, do norte-americano Rory Kennedy; e as fitas dinamarquesas Você vai Atuar esta Noite?, de Torben Skjødt Jensen e Ulf Peter Hallberg, Tintin e Eu, de Anders Høgsbro Østergaard, e O Mosteiro, de Pernille Rose Grønkjær.
Serviço
É Tudo Verdade – 12° Festival Internacional de Documentários – De hoje a sábado, com sessões às 18h e 20h; e domingo, às 17h e 19h. No cinema do Centro Cultural Banco do Brasil (Setor de Clubes Sul, Trecho 2). Ingressos a R$ 4 (inteira). Informações: 3310-7087.