Joel Zito é um cineasta de carreira recente, mas de militância antiga pelos valores humanos, como professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Seu primeiro filme, de 2000, veio a partir da sua tese de doutorado, com A Negação do Brasil (2000), documentário sobre a discriminação racial na televisão brasileira. Em 2004, causou furor com sua primeira incursão na ficção, ao abocanhar os principais prêmios do Festival de Gramado por As Filhas do Vento , filme realizado com um todo composto por atores negros, para atirar nova mensagem contra a desigualdade racial.
Agora, com a estreia no circuito da cidade de Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado, Joel Zito volta a documentar e coloca a boca no trombone – ou melhor, as imagens na
telona – para denunciar o abuso e a exploração sexual contra crianças e adolescentes.
O filme trata do turismo sexual no Brasil, mas não deixar de cutucar a dura realidade do tráfico internacional, em que mulheres, travestis e crianças tornam-se a ponta de um comércio que movimenta milhões de dólares e que envolve autoridades, estabelecimentos comerciais e turistas estrangeiros em busca de um “pindorama sexual” no Brasil.
O diretor percorreu o Nordeste brasileiro, e algumas cidades européias em busca de depoimentos significantes para decifrar a questão.