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<i>Cidade dos Homens</i> explora o drama da vida na favela

Arquivo Geral

31/08/2007 0h00


Acerola e Laranjinha: após filme, futuro de Douglas Silva e Darlan Cunha é incerto

Laranjinha (Darlan Cunha) e Acerola (Douglas Silva) nasceram no Palace II, fizeram estágio na pele dos “vilões” Dadinho (Douglas) e Filé com Fritas (Darlan) em Cidade de Deus, e cresceram na Cidade dos Homens. O longa-metragem derivado da série da TV Globo, que estréia hoje nos cinemas, encerra com louvor a trajetória dos quase incorruptíveis amigos da favela carioca do Morro do Careca, especialmente ao rememorar por flashbacks a evolução (física) dos personagens.


Produção da O2 (dos associados Bráulio Montavani, roteirista criador dos personagens,  Fernando Meirelles e Kátia Lund, diretores de Palace II e parceiros em Cidade de Deus), Cidade dos Homens se sai bem ao costurar a história dos garotos desde a infância corrompida por pequenos furtos – porém, inabalável moral – até rapazes ajuizados e determinados em mudar de vida. Fica apenas o ranso do “mais um filme sobre violência e pobreza”, necessariamente posta à sombra da magnitude de Cidade de Deus. A comparação é inevitável, apesar de Morelli conduzir a trama honestamente.


Paternidade
Mais do que um episódio alongado para a conclusão dos quatro anos da série, encerrada em 2005, o filme tenta aprofundar o grande dilema de seus protagonistas: a paternidade. Ambos cresceram sem pai. Laranjinha sempre se inconformara; Acerola não dava muita bola, mas tem um filho para cuidar. Assim terminava as peripécias dos garotos na televisão.


O senso de responsabilidade bate à porta de ambos no que pode-se chamar de capítulo final da série. Laranjinha encontra o pai, em liberdade condicional, e Acerola se vê obrigado a assumir sozinho o filho (a mãe muda-se para São Paulo em busca de emprego). A trama se movimenta ao sabor da discussão sobre relacionamento de pai e filho. Eles se separam e se enfrentam após a guerra que divide  o morro – além de uma certa guerra fria que desenterra a trágica história relacionando os pais de ambos.


 Como atores, Darlan e Douglas mostram igual amadurecimento, porém, pouco futuro. O risco do ostracismo é iminente, mas Deus – e brasileiros, apesar de nossa (dita) curta memória cultural – está de prova que a vida na favela de Laranjinha e Acerola não foi nada fácil e seus respectivos alter-egos merecem alguma consideração e grande reconhecimento, ainda que por meio de um curto texto de jornal.

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