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<i>BirdWatchers</i> leva luta dos índios na A.Latina ao Festival de Veneza

Arquivo Geral

02/09/2008 0h00

O filme BirdWatchers – La terra degli uomini rossi, do diretor ítalo-chileno Marco Bechis, mostrou nesta segunda-feira (1º) em Veneza que o homem branco continua conquistando a América Latina.

Um dos roteiristas de BirdWatchers é Luiz Bolognesi, que escreveu e produziu Chega de Saudade (2007) e Bicho de Sete Cabeças (2001).

O filme também conta com a participação dos atores brasileiros Matheus Nachtergaele e Leonardo Medeiros no elenco.

O próprio Bechis define o longa, que concorre ao Leão de Ouro de melhor filme, como o retrato da continuação da luta do homem branco pela terra, tanto nas imagens da produção quanto em suas declarações na entrevista coletiva.

Em BirdWatchers, o homem branco é o fazendeiro e é protegido pelo Estado brasileiro, enquanto os indígenas são os guaranis que tentam sobreviver no Mato Grosso do Sul.

O filme descreve essa luta mostrando uma floresta, onde vivem os guaranis, cortada em linha reta pelo trator dos fazendeiros e seus imensos campos.

“Na América Latina, há muitos desaparecidos não apenas de ditaduras”, disse em entrevista coletiva o autor de Garage Olimpo (1999), filme no qual denunciou as torturas e os assassinatos em massa realizados durante o regime militar argentino.

Ademilson Concianza Verga, um dos atores guaranis presentes na entrevista coletiva, explicou que, para eles, “não há mais animais, não há mais árvores, não há caça e não há pesca”.

“Estamos muito tristes porque nossas crianças estão morrendo. Somos como vocês, somos seres humanos. Não somos índios, mas pessoas que amam, trabalham, riem e sofrem. Se nos torturam é porque já não há florestas”, disse Eliane Juca da Silva, outra das protagonistas.

Visivelmente emocionada, a atriz disse que seu povo só quer “um pedaço de terra para as colheitas” e respeito, como fazem com os outros.

“Espero que entendam que este filme é uma história verdadeira para que tenhamos uma oportunidade e saibam como o Brasil se comporta”, acrescentou.

A tristeza à qual se referia Eliane é refletida no filme nos suicídios de adolescentes e jovens guaranis, que tiram a própria vida “porque há uma ausência completa de saída para eles”, disse Ambrósio Vihalva, chefe de tribo.

A falta de saídas também abala outros jovens, como os turcos, segundo outro dos filmes exibidos na segunda-feira (1º) em Veneza, Süt (Leite, em tradução livre), de Semih Kaplanoglu, um filme sem concessões nem para o espectador nem para a vida.

Neste segundo filme da trilogia, que começou em 2007 com Yumurta (Ovo, em tradução livre), Kaplanoglu mostra a vida do jovem Yusuf quando chega a hora da transição da infância para a vida adulta.

“Queria mostrar a falta de saídas para os jovens. Sua confusão e sua desorientação”, comentou Kaplanoglu, para quem a vida adulta castra todos os sonhos da infância, a julgar por seu filme.

Nessa passagem da infância para a vida adulta, Yusuf deve abandonar seu sonho de ser poeta e sacrificar o amor por sua mãe para terminar trabalhando em uma mina.

Poucas concessões também faz o diretor americano de origem iraniana Amir Naderi em Vegas: Based on a true story, que fala sobre a dependência ao jogo, mas também sobre como os sonhos se transformam em obsessões.

A história conta a vida de uma família que vive nos arredores de Las Vegas e seu destino muda quando alguém diz que no jardim pode estar enterrada uma valise cheia de dinheiro procedente de um antigo roubo.

Naderi, representante do cinema independente americano, afirmou em entrevista coletiva que o filme foi financiado graças ao dinheiro que oito jogadores viciados emprestaram a ele mediante um peculiar sistema.

Cada noite, Naderi tinha que ir ao cassino onde jogavam e, se tivessem lucro, ganhava uma parte para que trocasse por dinheiro se prometesse ficar.

Se continuassem ganhando, chegava uma hora que podia ir; se perdessem, ele devolvia o dinheiro.

“Quando ganhavam, eu filmava no dia seguinte, mas se perdiam, não, porque não tinha dinheiro”, confessou Naderi, que disse que esse foi o motivo de o filme, apesar de ser muito simples, demorar seis meses para ficar pronto.

Naderi também declarou que os atores desconheciam o sistema, por isso não entendiam o método de filmagem.

Os jogadores que emprestaram o dinheiro preferiram ficar no anonimato, “e esse é o motivo pelo qual o nome do produtor executivo não aparece no filme”, concluiu Naderi, para quem finalmente sua própria obsessão se tornou seu sonho.

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