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<i>Batismo de Sangue</i> é a estréia nacional da semana

Arquivo Geral

20/04/2007 0h00

“Helvécio, coragem! A realidade extrapola a ficção.” A frase escrita por Frei Betto, autor do livro Batismo de Sangue, foi uma dedicatória ao diretor Helvécio Ratton. E a mensagem foi encarada pelo cineasta como um verdadeiro desafio. Ratton o supera quatro anos depois com o longa-metragem Batismo de Sangue, que rendeu prêmio de melhor direção para o cineasta mineiro no 39° Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (2006). O filme chega hoje aos cinemas, inspirado na obra homônima, que narra a história de um grupo de frades dominicanos que lutou contra a ditadura no Brasil.

Vencedor do Prêmio Jabuti – o mais importante da literatura brasileira – em 1985, o texto mostra a participação que os seminaristas tiveram na resistência ao regime militar em território nacional. Por conta disso, os religiosos foram presos e torturados pela equipe liderada pelo delegado Fleury (Cássio Gabus Mendes), do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo.

A história foca a vida de quatro freis: Betto (Daniel de Oliveira), Tito (Caio Blat), Fernando (Léo Quintão) e Ivo (Odilon Esteves) e a ligação deles com o homem que era considerado um dos líderes da resistência, Carlos Marighella (Marku Ribas). Para que os quatro entregassem a localização de Marighella, foram barbaramente torturados. Tanto que Tito, exilado na França, nunca conseguiu superar as agressões e cometeu suicídio em 1974, aos 29 anos. Essa é a primeira cena da produção.

“A ditadura é um período de histórias pessoais muito fortes, e poucas pessoas conhecem a participação dos dominicanos na luta’, conta o diretor. “Eu li Batismo de Sangue e me dei conta de que a história é impressionante. Decidi filmá-la.”

Responsável pelo relato, Frei Betto preferiu não participar da elaboração do roteiro, que ficou a cargo de Dani Patarra e Ratton. Mas o religioso conta que ficou muito emocionado com o resultado final. “Não consegui conter as lágrimas. Além disso, os meus amigos que assistiram ao filme comentaram que o Daniel está igualzinho a mim quando eu era mais jovem”, conta.

A preparação do elenco contou com a participação dos freis Betto, Fernando e Ivo, que deram palestras e compartilharam as experiências daquela época. “Foi muito enriquecedor estar com os freis, eu não conhecia absolutamente nada sobre eles. Poder interpretar Betto foi uma honra”, fala Daniel de Oliveira.

Caio Blat diz que se sentiu “órfão” na preparação, mas buscou com a família do religioso morto as impressões que ele tinha sobre a vida. “Tito era sensível, tinha muita fé e um senso de justiça incrível. É impressionante como os torturadores conseguiram acabar com ele”, afirma.

Ex-preso político e ex-exilado, Ratton não economizou nas cenas de tortura. “Fiz questão de mostrá-las. Elas são a questão central da história dessas pessoas. Tito morreu porque nunca mais se livrou das imagens dos seus torturadores, e os policiais acharam Marighella porque os freis foram tão torturados que contaram onde se encontrariam com ele. Não tinha como deixar essa parte de fora”, justifica.

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