O pernambucano Lírio Ferreira, co-diretor de um dos filmes mais celebrados da década de 1990, Baile Perfumado (1996), levou dez anos para colocar na tela seu segundo trabalho, o aguardado Árido Movie, que estréia nas salas de cinema de Brasília.
O protagonista da história é Jonas (Guilherme Weber), homem do tempo de uma emissora de televisão em São Paulo, forçado a partir para uma remota cidadezinha do sertão de Pernambuco para o enterro do pai (Paulo César Pereio), que foi assassinado. A atriz Giulia Gamm também faz parte do elenco.
Lá, defronta-se com uma realidade arcaica, em que a avó e os tios querem que ele vingue a honra da família com o sangue do matador, o índio Jurandir (Luiz Carlos Vasconcelos).
O conflito entre a modernidade urbana e o arcaísmo do sertão também estão presentes nas aventuras e desventuras de um grupo de amigos de Jonas (Selton Melo, Gustavo Falcão e Mariana Lima). Este diálogo entre passado e presente, para Lírio, dá seqüência a uma discussão iniciada em seu trabalho anterior, só que em outros termos.
"Baile Perfumado era um filme de época em que se tentava introduzir a atualidade por meio da trilha musical (assinada por Chico Science, falecido precursor do movimento mangue beat)", explica o diretor. "Em Árido Movie, fazemos o caminho inverso. É um filme contemporâneo que resgata a persistência do passado, que está na família e no poder".
Um dos elementos mais importantes para a colocação deste conflito está na excepcional fotografia contrastada, assinada pelo também diretor Murilo Salles. A demora para a realização do filme não foi por falta de vontade, mas das dificuldades da produção cinematográfica no Brasil. Lírio.