Hollywood com certeza já deve ter produzido outras comédias estúpidas bem piores do que Apenas Amigos. A tentação é descrever o filme, que entra em cartaz nesta sexta-feira, como uma comédia voltada a espectadores cujo tempo de atenção é curto, já que tantas de suas cenas contradizem cenas anteriores.
A verdade, no entanto, é que não há lógica regendo os personagens e as situações. O único objetivo do roteirista Adam "Tex" Davis e do diretor Roger Kumble, em cada cena, é arrancar risos da platéia.
A história gira em torno de um certo Chris Brander (Ryan Reynolds). Em Nova Jersey, em 1995, Chris é um "perdedor patético": obeso, destituído de romantismo e alvo de brincadeiras cruéis na escola. Ele nutre uma paixão secreta por sua melhor amiga, Jamie (Amy Smart), a garota mais desejada do colégio. Quando, na noite de formatura, ele se declara e ela lhe dá a resposta-padrão, dizendo que "somos apenas amigos", ele deixa Jamie e Nova Jersey, para nunca mais voltar.
Corte para dez anos mais tarde. Chris se reformou por completo: hoje é um esbelto e mulherengo executivo de Hollywood, aparentemente destituído de consciência ética.
As circunstâncias o obrigam a voltar a sua cidade natal pela primeira vez em anos. Ele reencontra Jamie, ainda solteira, namorando fracassados, trabalhando num bar e ainda morando com seus pais. De repente, Chris percebe que agora, finalmente, tem a chance de conquistar a garota de seus sonhos. Mas, quando tenta fazê-lo, ele regride para o que era no passado: um bobão desajeitado, só que agora dotado da desvantagem adicional de uma personalidade machista e indiferente.