Existe um bebê na história de A Criança, dos irmãos belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne, mas o personagem-título do filme é, na verdade, o pai do bebê, um ladrão imaturo e mentiroso compulsivo.
O filme, vencedor da Palma de Ouro do Festival de Cannes do ano passado, estréia hoje nos cinemas e narra a história de Bruno (Jeremie Renier), um jovem trapaceiro de rosto inexpressivo que usa crianças para roubar.
Quando vende os bens roubados para um receptador, ele fica com a parte maior do dinheiro. Sua namorada, Sonia (Deborah François), é ainda mais jovem do que Bruno. Ela não se espanta quando, ao retornar do hospital com o recém-nascido nos braços, descobre que Bruno sublocou o apartamento deles por alguns dias, em troca de dinheiro vivo, e que os dois, mais o bebê, terão que dormir num abrigo para sem-tetos.
O jovem casal irresponsável brinca de jogos infantis e aparenta felicidade, até o momento em que Bruno se vê novamente sem dinheiro e decide vender o bebê. Para isso, ele vai até um edifício abandonado, à noite, e deixa a criança numa sala sem luz, enquanto aguarda em outro quarto, para depois retornar e buscar uma pilha de dinheiro.
Imediatamente, ele conta a Sonia o que fez. A mãe entra em choque catatônico e é hospitalizada. Por medo de que ela conte à polícia o que ele fez, Bruno tenta recuperar o bebê.
A produção, apesar de deixar a desejar em termos de provocar climas de tensão, consegue passar sua mensagem: reflexão sobre rapazes imaturos que viram pais muito cedo e não compreendem a responsabilidade da paternidade.