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Loza, diretor de A Invenção, fala sobre cinema argentino

Arquivo Geral

13/11/2009 0h00


A Invenção é o quinto longa de Loza, que também assina o roteiro. Algumas de suas produções tiveram mais repercussão na Europa que no próprio país e nenhuma delas alcançou sucesso comercial. Nem era essa a intenção. “Eu defendo a possibilidade de manter-se à margem”, afirma. “Devemos fazer filmes, peças de teatro, músicas que sejam alternativas ao mercado”.

 

Em termos financeiros, isso significa buscar patrocínio do governo. “Creio que filmes artísticos como este (A Invenção), sem apoio estatal, não seriam possíveis, pois, comercialmente, a quem interessam?”, argumenta Loza. Para ele, deve-se buscar outras formar de financiamento, “mas, às vezes, é uma fatalidade que somente se possa recorrer ao Estado”. Nas contas do diretor, o investimento acaba tendo retorno. “A difusão internacional que tem um filme como este é uma forma de divulgar parte da cultura argentina, e o Estado termina por ganhar, não há uma perda”.

 

Loza reclama mais empenho do poder público na defesa da produção local. “O governo deveria reservar mais salas (de cinema)”, propõe, “deveria haver um imposto muito mais severo, como há em outros países, como a França, para as películas estrangeiras. Se o imposto fosse maior, os exibidores se animariam a mostrar o cinema latino-americano”.

 

Críticas à crítica

 

Na Argentina, o órgão estatal responsável pelo fomento do cinema é o Instituto Nacional de Cine y Artes Audiovisuales. Suas leis de incentivo permitiram o surgimento do celebrado “novo cinema” do país. Loza acredita, no entanto, que esse rótulo seja falso. “O fenômeno do cinema argentino foi gerado e sustentado pela crítica internacional”, sentencia. “Não houve movimento nenhum. Movimento tem elementos estéticos, temáticos e, sobretudo, ideológicos em comum. Nosso cinema não tem uma ideologia e, esteticamente, não tem nada a ver o cinema de Lucrecia Martel com o de Lisandro Alonso ou Adrián Caetano”. Além disso, ele avalia que “agora há bons diretores, sim, mas sempre houve bons diretores”

 

Nos últimos anos, os festivais e a crítica têm dado cada vez mais atenção à produção de países periféricos, sem tanta tradição na sétima arte. A Argentina foi beneficiada por esta tendência. A bola da vez é o cinema oriental. Loza tem suas ressalvas. “Penso no que se passou em relação ao cinema iraniano”, exemplifica. “O que é o cinema iraniano? É (o diretor Abbas) Kiarostami, não há muito mais”. O argentino lamenta que a crítica “se dê a pretensão de determinar: ‘agora a moda é o cinema argentino, agora é o iraniano”. E explica essa postura: “Há certo paternalismo europeu, um fascínio pelo exótico e gosto pela novidade”. Loza é cauteloso: “Temos que ver como esses diretores de que tanto se fala resistem ao tempo”.

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