Com megashows em nove cidades, o Live Earth, maratona musical que acontecerá neste sábado é a mais nova aposta de Al Gore para, com 24 horas seguidas de música, acordar as consciências adormecidas para a necessidade de combater a mudança climática.
A idéia é que o Live Earth seja “o maior espetáculo para televisão do mundo, com cerca de 2 bilhões de espectadores”, anunciou Gore em maio no Rio de Janeiro, cidade que deve sediar um dos shows, embora a realização deste ainda dependa de decisão judicial.
A série de shows começará em Sydney. Com as horas, acontecerão os espetáculos em Tóquio, Xangai, Johanesburgo, Londres, Hamburgo, Nova York e no Rio.
A Live Earth terá a apresentação de aproximadamente cem grupos e solistas. O evento começará às 20h da sexta-feira (em Brasília) no Sydney Cricket Ground & Aussie Stadium, com capacidade para 85 mil espectadores que pagarão o equivalente a US$ 85 cada para ver shows de artistas como Blue King Brown, Crowded House e Toni Collette & The Finish.
O Japão terá duas cidades participantes, pois o show principal, no Makuhari Messe de Tóquio, será acompanhado por atuações no templo Toji de Kioto, cidade-símbolo da luta contra a mudança climática desde a assinatura do protocolo que leva seu nome, há dez anos.
Os japoneses verão shows de, entre outros, Linkin Park, Michael Nyman e Yellow Magic Orchestra. A entrada custará US$ 83 em Tóquio e entre US$ 58 e US$ 125 em Kioto.
O show de Xangai será aos pés da torre de televisão Pérola do Oriente – a mais alta da Ásia, com 468 metros. O público da metrópole chinesa verá apresentações tão variadas como a da soprano britânica Sarah Brightman e a da 12 Girls Band, conjunto feminino tradicional do país.
Na África do Sul, o show será no Coca-Cola Dome de Johanesburgo. O público pagará entre US$ 26 e US$ 50 para ver UB40, Vusi Mahlasela, Angelique Kidjo e Baaba Maal.
O estádio Wembley, de Londres, sediará um dos shows mais badalados do Live Earth, com nomes como Beastie Boys, Black Eyed Peas, Damien Rice, David Gray, Duran Duran, Foo Fighters, Genesis, James Blunt, John Legend, Keane, Madonna, Metallica e Red Hot Chili Peppers.
A luta contra o aquecimento global dará ao norte da Alemanha um charme latino, pois o público que for ao AOL Arena de Hamburgo verá os shows da colombiana Shakira, do espanhol Enrique Iglesias e dos mexicanos do Maná, entre outros, como de Snoop Dogg e de Yusuf (Cat Stevens).
O outro palco mais repleto de estrelas, além do britânico, será o dos Estados Unidos, onde o show, oficialmente anunciado como em Nova York, na verdade acontecerá no estádio dos Giants, na vizinha Nova Jersey. Nele se apresentarão o grupo The Police, que acaba de se reunir, Roger Waters, Bon Jovi, Alicia Keys, Kanye West e Keith Urban.
O show do Rio de Janeiro, se acontecer, será o único grátis do Live Earth. Uma multidão deve se reunir na praia de Copacabana para assistir às apresentações de Lenny Kravitz, Pharrell Williams, Macy Gray, Xuxa, O Rappa, Marcelo D2, Jorge Ben Jor, Jota Quest, Vanessa da Matta e MV Bill.
Duas das atrações previstas não estarão presentes: Alanis Morissette e Ivete Sangalo. A canadense alegou problemas de agenda, já a baiana discorda da filosofia do evento, de acordo com seu irmão e empresário, Jesus Sangalo.
“Al Gore silenciou quando Bush se recusou a assinar o Protocolo de Kyoto. Ivete tem uma profunda consciência ecológica e estará sempre pronta para participar de eventos organizados por brasileiros”, afirmou Jesus Sangalo, em declarações publicadas pelo jornal O Dia.
Mas mesmo as outras atrações podem não chegar a se apresentar em Copacabana, pois o Ministério Público fluminense obteve hoje liminar que suspende a realização do show, por motivos de segurança. A Polícia alegou que seus esforços estarão concentrados no Pan, e que não pode garantir a segurança total do evento.