Os livros estão de volta às prateleiras na Caxemira, região que vinha sendo afetada por uma seca literária por anos e anos, por falta de leitores. As poucas livrarias da região haviam fechado as portas alguns anos depois do início da revolta muçulmana contra o jugo indiano, no final de 1989.
Em meio à violência, só ficaram abertas as lojas que vendiam publicações panfletárias islâmicas ou livros didáticos, mas clássicos asiáticos ou ocidentais e lançamentos eram artigo raro.
Agora, obras de Shakespeare, Charles Dickens e Thomas Hardy disputam espaço com Salman Rushdie e Dan Brown nas ainda poucas livrarias de Srinagar.
"A elite do vale da Caxemira lia muito antes da explosão da militância", disse à Reuters Hameeda Nayeem, professora do departamento de literatura em inglês da Universidade da Caxemira.
"Mas ler não é mais uma coisa do passado na Caxemira. Cada vez mais gente está começando a consumir literatura".
Quando uma granada explodiu em Srinagar há algumas semanas, Adeel Bhat, em pânico, escondeu-se numa loja. Quando olhou em volta de si, o rapaz de 28 anos não pôde acreditar no que via.
"Pela primeira vez, senti que havia alguma coisa de bom acontecendo na Caxemira", disse ele sobre a livraria, e com um exemplar de O Caçador de Pipas, o romance sobre a tumultuada história recente do Afeganistão.
Devido à violência, boa parte dos moradores mais cultos da região, como médicos e professores, fugiu para outras regiões da Índia, enquanto os militantes obrigavam, por exemplo, o fechamento dos cinemas. Bibliotecas foram destruídas pelos combates entre guerrilheiros e soldados.
Com a redução nos ataques, um dos cinemas pôde reabrir, as bebidas alcoólicas são vendidas mais livremente e os salões de beleza estão faturando. Agora os amantes da literatura podem retomar seu passatempo predileto.
"A demanda está crescendo dia a dia, por todo tipo de livro, incluindo clássicos antigos e novos lançamentos, especialmente best-sellers", disse Sheikh Ajaz Ahmad, dono da Gulshan Books, no centro de Srinagar.