A última história trata sobre a vida da paulista Laura (Bete Coelho), escrita pela contista Ledusha Spinardi. Ela é uma mulher que, aos 45 anos, após um casamento dedicado exclusivamente ao marido e ao filho, resolve se inserir no mercado de trabalho. “Essa história trabalha com o conceito de superação. Eu não arrumo um emprego para ela. Laura entende que é uma longa estrada e que vai ter que se superar”, conta a cineasta.
As histórias acontecem uma por uma e cada uma tem um pouco da outra. O espectador vai perceber a ligação entre essas cinco mulheres comuns. E todas as histórias recebem interferências documentais, nem sempre da mesma maneira. “O resultado foi muito bom. A gente conseguiu fazer com que a compreensão e a identificação das pessoas que assistem sejam maiores por meio dos depoimentos”, avalia Malu. Na parte ficcional, o documentário é identificado na fala dos personagens e na maneira de filmar as cenas e os cenários.
O elenco conta também com participações masculinas. “Falar de mulher sem falar de homem é impossível”, brinca a diretora. Entre eles, Luciano Szafir, Dalton Vigh, Tuca Andrada, Stepan Nercessian e Emiliano Queiroz.
Depois de 20 anos dedicados a documentários, para Malu este é um momento propício para estrear em longa-metragem. “O Brasil anda querendo ver o Brasil. O cinema brasileiro tem essa peculiaridade, de mostrar nossa vida”, avalia. “E acho que acabou um preconceito que havia em relação ao cinema brasileiro há alguns anos. O público, hoje, vai ao cinema para ver filme brasileiro”, acrescenta.
TempoA maior dificuldade para a diretora foi o tempo. “Estou acostumada com a rapidez que o documentário e a televisão proporcionam, de em um ou dois meses o trabalho ter de estar pronto. O cinema é mais elaborado e demora muito para preparar tudo”, analisa.
Fazer um filme dedicado ao público é o grande prazer de Malu de Martino. “Temos excelentes diretores, mas infelizmente a distribuição dos filmes não ocorre de forma que o público veja. Mulheres do Brasil é de fácil leitura, é filme de entretenimento, mas rende um bom papo depois”, diz a diretora, que quer levar a produção principalmente para populações que não têm fácil acesso ao cinema.
Ela já pensa em realizar um novo filme: “Tenho um projeto chamado Como Esquecer, sobre um livro da Mirian Campelo, que começará a ser filmado somente no ano que vem.