Você assistiria a um espetáculo que foi veementemente vaiado na noite de estréia? La Bohème, a obra-prima do italiano Giacomo Puccini, não agradou ao público em 1º de fevereiro de 1886, na cidade de Turim, na Itália. Cartaz na Sala Villa-Lobos do Teatro Nacional Cláudio Santoro, a peça, que sintetiza a produção operística italiana do final do século 19, ganha nova montagem nacional e chega a Brasília para uma curta temporada, de amanhã a domingo.
A nova montagem de La Bohème, produzida pela Rio Amazonas, apresenta as histórias de amor e música italiana de Puccini sob a regência do maestro Silvio Viegas, direção-geral de Francisco Ferreira, elenco formado por artistas de Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Brasília e a participação especial do Coro Lírico de Brasília.
Protagonizada por quatro personagens, a história se passa num apartamento no bairro Bohème, em Paris. Marcello, um pintor; Rodolfo, um poeta; Colline, filósofo; e Schaunard, músico, são amigos e vivem dificuldades financeiras.
Na véspera do Natal, conseguem quitar a dívida do aluguel e saem para comemorar. Como não podia deixar de ser, tem ainda uma história de amor entre dois personagens, com final trágico. “Sempre choro na cena final”, confessa Luciana Tavares, a soprano brasiliense que interpreta Mimi (no sábado), protagonista do caso de amor.
Um dos destaques da montagem é o figurino, que será usado pela primeira vez. “O cenário também está belíssimo. Foi feito pela empresa italiana La Bottega Veneziana e incorporado à Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional”, explica Francisco Ferreira.
Entre os cem artistas em cena, a soprano italiana Patrizia Morandini é um dos nomes mais importantes. Ele fará o papel de Mimi nas apresentações de sexta e domingo.
Outra pessoa que veio de fora é Francisco Mayrink, diretor de cena do Palácio das Artes de Belo Horizonte, e que tem no currículo mais de 40 óperas.
Um dos momentos mais emocionantes é quando o coro infantil, formado por 14 crianças de 9 a 12 anos, entra em cena. “É no segundo ato, quando os personagens comemoram a noite de Natal”, diz Ferreira.
As apresentações em Brasília marcam a estréia nacional da montagem. O espetáculo poderá ser visto ainda em São Paulo, Recife e Joinville. Para o ano que vem estão previstas escalas em Belo Horizonte, Salvador, Belém e Manaus.