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José Mojica Marins ganha retrospectiva de sua carreira no CCBB

Arquivo Geral

10/10/2007 0h00

Até o dia 21 deste mês uma das figuras mais populares do cinema  – e por que não, do imaginário –  brasileiro será presença constante na tela do cinema do Centro Cultural Banco do Brasil. José Mojica Marins ganha mostra retrospectiva de sua obra, com grande parte de sua produção como diretor, mas também com filmes de outros realizadores dos quais participou como ator.

Eugênio Puppo, curador do projeto, realça a importância da produção de Mojica, que vai muito além de sua criação mais conhecida: “Para muita gente só existe o Zé do Caixão, mas ele é apenas um personagem dentre tantos outros do Mojica”. Ao longo de uma trajetória em que as primeiras experiências com o cinema começaram ainda na infância – e cujo primeiro longa-metragem, A Sina do Aventureiro, chegou às telas em 1959 –,  Mojica já produziu filmes que vão do horror à aventura, passando pelo melodrama, faroeste, pornochanchada e até sexo explícito. Tantas outras facetas do homenageado, o público também poderá conhecer nesta mostra comemorativa de 50 anos de carreira do cineasta.

“É a mostra mais completa da carreira dele. A maioria das outras se limitou a três ou quatro títulos de sua obra, sempre focadas no Zé do Caixão”, compara Puppo. O trabalho do curador compreende cinco anos de pesquisa, com acesso aos arquivos da produtora de Mojica e busca de negativos de filmes por acervos, cinematecas, distribuidoras, coleções particulares, entre outras fontes, para que fosse feita a recuperação dos filmes. No total, foram recuperados – em um trabalho minucioso da Labocine e da Cinemateca Brasileira – 16 filmes dirigidos por Mojica, sendo 13 longas, um média e um curta-metragem.

“Assistimos a todas as 400 latas de filmes guardadas no escritório dele. Encontramos negativos antigos, curtas, sobras de filmes, até notas fiscais de compra de películas, contratos com atores”, lembra o curador.

O grande resgate da mostra é o filme A Praga, que será exibido dia 19, em sessão seguida de palestra com o próprio José Mojica. Filmado por ele em 1981 e nunca terminado, era tido como perdido. “Só era conhecida uma cópia em VHS, com o material bruto. O filme não tinha áudio, nem roteiro”, detalha Puppo. O longa  foi telecinado (processo de passar de uma matriz para película) e, para resolver o problema do áudio, uma deficiente auditiva “traduziu” as falas dos personagens.

No roteiro, foram confrontadas as filmagens com sua história em quadrinhos, desenhada por Nico Rosso (Mojica escreveu várias HQs, com Zé do Caixão ou outros personagens), para se chegar a uma ordem de montagem das cenas. “Esse era um filme muito importante para o Mojica e ele queria muito vê-lo terminado. Quando comecei a pesquisa, ele praticamente me deu o filme para concluir”, conta o curador. A primeira exibição mundial de A Praga será em Brasília. A estréia mundial será em 2008.

Catálogo
Além dos filmes restaurados, a mostra também rendeu um livro-catálogo com quase 180 páginas, vasto material gráfico e artigos inéditos com grandes críticos de cinema do Brasil. Ao contrário de Maldito, livro-referência sobre Mojica, de autoria de André Barcinski e Ivan Finotti, o catálogo da mostra tem enfoque na trajetória profissional, em vez  de pessoal, do realizador.

O evento serve de certa forma como uma preparação para a chegada aos cinemas de Encarnação do Demônio, filme inédito dirigido por Mojica, em atual fase de acabamento e com estréia prevista para o primeiro semestre de 2008. O longa encerra a trilogia do personagem Zé do Caixão (sempre em busca da mulher que lhe dará o filho perfeito), depois de À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1963) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver (1966).

“Vi um promo do filme e fiquei assoberbado”, finaliza Puppo. “O Mojica conservou suas características como cineasta. Seu cinema ainda é visceral. Além do mais, o Paulo Siqueira, que trabalha como montador e produtor executivo, está tendo um grande cuidado com a produção, para não transformar o filme em cinema moderninho”. Nada mau para para encerrar a saga de um mito que assusta e encanta no Brasil e no exterior – onde é conhecido como Coffin Joe –  há mais de quatro décadas.

Programação

Dia 10, quarta-feira
16h30 – O Vampiro da Cinemateca
Horror Palace Hotel ou O Gênio Total
18h30 – O Diabo de Vila Velha (também no dia 13, às 16h30)
20h30 – Esta Noite Encarnarei no teu Cadáver (também nos dias 13, às 20h30; e 20, às 18h30)


Dia 11, quinta-feira
16h30 – O Abismo
18h30 – As Bellas da Billings Fim
20h30 – O Profeta da Fome


Dia 12, sexta-feira
16h30 –A Sina do Aventureiro
18h30 – Sexo e Sangue na Trilha do Tesouro  (também no dia 16, às 16h30)
20h – O Despertar da Besta (ex- Ritual dos Sádicos)


Dia 14, domingo
16h30 –  Sessão de curtas: Sentença de Deus; Por Exemplo, Butantã(também no dia 20, às 20h30) ; Evolução; Simplesmente Mulher (também no dia 17, às 20h30); Fim; Mojica na Neve
18h30 – A Mulher que Põe a Pomba no Ar
20h – Exorcismo Negro (também no dia 21, às 18h30)


Dia 16, terça
18h30 – Finis Hominis (também no dia 21, às 16h30)
20h30 – D’Gajão Mata para Vingar


Dia 17, quarta
16h30 – A virgem e o machão
18h30 – Como Consolar Viúvas
20h30 – Inferno Carnal


Dia 18, quinta
16h30 – A Estranha Hospedaria dos Prazeres
18h30 – Mundo: Mercado do Sexo Evolução 
20h30 – Delírios de um Anormal


Dia 19, sexta
16h30 – Demônios e Maravilhas Fogo-fátuo
19h30 – Sessão especial: primeira exibição do inédito A Praga (também no dia 21, às 20h30)
20h30 – Palestra e encontro com José Mojica Marins


Dia 20, sábado
20h30 – O Estranho Mundo de Zé do Caixão

José Mojica Marins – Retrospectiva – De hoje ao dia  21, no Centro Cultural Banco do Brasil em Brasília. Ingressos: R$ 4 e R$ 2 (meia). Informações: 3310-7087.

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