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Jose Garcia é um desempregado à beira de um ataque

Arquivo Geral

19/05/2006 0h00

Baseado em romance de Donald Westlake, O Corte, mais recente trabalho do diretor greco-francês Costa-Gavras, faz uma pergunta simples ao espectador: o que aconteceria se um executivo desempregado levasse a lógica do capitalismo global ao extremo e começasse a eliminar fisicamente seus concorrentes?

O filme junta elementos de fábula, comédia social e thriller. A mistura, imbuída de humor negro, deve agradar ao público, com sua abordagem de esquerda de um problema que ultrapassa fronteiras e classes sociais.

O roteiro trata de Bruno Davert (Jose Garcia), 41 anos, um dos 15 ex-funcionários de uma fábrica de papel no norte da França.

Dois anos depois de seu emprego "tomado" pela terceirização, Bruno, em sua busca por trabalho, resolve ser tão impiedoso quanto seus antigos patrões. Ele consegue uma lista dos outros candidatos ao cargo que cobiça. Um por um, ele os persegue e elimina, como exigem as leis implacáveis da livre concorrência.

A polícia observa o fator em comum que existe nos currículos das vítimas e vai bater à porta de Bruno. Enquanto isso, sua mulher quer que ele faça terapia de casal e seu filho chama a atenção da Justiça ao ser flagrado roubando programas de computador.

Abrindo caminho, desajeitado, por uma série de assassinatos, mas conseguindo passar despercebido a cada vez, Bruno mantém o espectador do seu lado. O ator Jose Garcia, até agora visto sobretudo na televisão, é uma revelação no papel de Bruno. Ele possui uma semelhança desconcertante com Jack Lemmon, astro do mais famoso thriller político de Gavras, Missing. Sem qualquer dificuldade alterna expressões de angústia, indecisão, estresse, pavor e decisão assassina.

Com duas horas de duração, O Corte talvez seja um pouco longo, mas não deixa de prender a atenção do espectador e constitui mais um exemplo do cinema engajado do cineasta.

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