O escritor visionário do século 19 nunca esteve no Brasil, conhecia apenas alguns membros da família real. Mas, mesmo assim, enveredou-se pela selva amazônica e escreveu A Jangada – 800 Léguas Pelo Amazonas, em 1881. Para concluir este livro, Julio Verne (1828-1905) trabalhou a partir de outros textos e imagens. Estudou tudo o que teve acesso sobre a geografia, a fauna e a flora da região, além das estruturas sócioeconômicas. Abstraindo-se os exageros de algumas descrições – para dar molho ao texto – e o cunho didático sobre a floresta e seus habitantes – muito em razão da moral colonialista da época – o livro é uma boa fonte de informações sobre a internacionalmente cobiçada região brasileira.
A jangada conta a viagem da família do próspero fazendeiro peruano Joan Garral – de Iquitos –, até Belém, no Pará. Garral usa a tentativa de casar a filha Minha, com um colega do irmão Manoel, como pretexto para tentar rever a decisão judicial que o condenou à morte por roubo de diamante 26 anos antes, quando trabalhava nas minas do Império brasileiro com seu verdadeiro nome, Dacosta. Garral considera a sentença injusta.
Em sua razão secreta de chegar à capital paraense, o fazendeiro ignora até o risco de sua efetiva execução. Joan não vê outra saída para reparar a injustiça cometida em sua juventude e manda construir um enorme barco, a partir da derrubada de “uma floresta inteira”, na qual há espaço para a Casa Grande, a capela, tabas para os índios e senzalas para os negros.
Julio Verne, que escreveu mais de 80 romances, entre eles clássicos da literatura infanto-juvenil como A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, Viagem ao Centro da Terra e Vinte Mil Léguas Submarinas, não disfarça suas fantasias em A Jangada. O livro é bastante curioso para os brasileiros, já que o autor utiliza sua imaginação para falar da cidade flutuante e de índios. É a primeira vez que A Jangada é publicado no País em edição completa e com as ilustrações originais de Benett.