Se, por um lado, Hollywood se compadeceu do espectador e deixou aberta a torneira para jorrar filmes de teor político (Syriana, Boa Noite e Boa Sorte e Munique) e social (Crash e Brokeback Mountain) às vésperas do Oscar, por outro, insiste no lugar-comum. Insiste tanto, que conseguiu projetar, a partir de hoje, nos cinemas do País, Firewall – Segurança em Risco, típico exemplar da industrialização mecanizada do cinema americano.
A receita de Firewall é a mais básica possível. É a mesma coisa dos thrillers de seqüestro que se revezam em “telas quentes”, “intercines” e “supertelas”. Mudam os personagens, disfarçam a trama, mas desde o conteúdo até o desfecho é tudo a mesma coisa: Jack (em sua pele, um Harrison Ford em fim de carreira) é chefe de segurança de um importante banco. Então, apresenta-se o vilão (Bill Cox, interpretado por Paul Bettany).
Cox prende o casal de filhos de Jack e sua esposa em casa. Ele não pode dizer nada à polícia e precisa transferir uns bocados de milhões de dólares para a conta do bandido no exterior. Jack é integralmente vigiado, tem os telefones grampeados, enfim, está numa situação impossível de sair – não fosse a habilidade do diretor Richard Loncraine de prover a mesma solução óbvia do gênero, catalogada na prateleira de genéricos de Hollywood.
É claro que o vilão tem uma estratégia infalível. É claro que ninguém iria acreditar na história de Jack e ele pareceria culpado. E é claro que, no final, Jack encontra o bandido com sua família numa localidade remota, coisas explodem, ele sai ileso, o outro, morto, e a família a salvo. Já não vimos este filme antes?