O pouco que se sabe sobre Ines de Suarez, amante do conquistador espanhol Pedro Valdivia e mulher que estava muito à frente de seu tempo, é o suficiente para fazer qualquer escritor ter vontade de contar sua história.
Costureira humilde, Ines recebeu autorização especial do trono espanhol para viajar sozinha ao Novo Mundo, em 1537, à procura de seu marido, que combatia o império inca. Mas, quando ela chegou ao Peru, seu marido já havia morrido. Sendo uma das pouquíssimas mulheres européias no Peru, e a única sem marido, Ines iniciou uma relação incomum e proibida com Valdivia, que deixara sua esposa na Espanha.
Quando Valdivia iniciou a conquista da região que hoje forma o Chile, Ines foi a única mulher européia a atravessar o deserto do Atacama com ele e, mais tarde, ajudá-lo a fundar e defender Santiago.
Esquecida pelos historiadores apesar do papel singular que desempenhou na história chilena, a vida de Ines de Suarez é a base de um novo romance histórico de Isabel Allende, a mais conhecida escritora chilena contemporânea, autora de A Casa dos Espíritos.
"Somos todos descendentes de Ines de Suarez e das mulheres extraordinárias que acompanharam os conquistadores e foram esquecidas pela história", disse Allende, que vive na Califórnia, a jornalistas durante o lançamento chileno de seu novo livro, Ines del Alma Mia.
Em visita ao Chile, onde entregou um exemplar de seu livro à presidente Michelle Bachelet, a escritora contou que pesquisou os poucos fatos conhecidos sobre Ines Suarez, que tinha cerca de 30 anos quando deixou a Espanha, e baseou o resto do livro em leituras sobre os homens da época.
"Foi fácil para mim entrar na pele dela", contou Allende, que escreveu o romance na primeira pessoa. "Chegou um momento em que eu já me sentia totalmente identificada com ela. Eu teria defendido minha cidade como ela defendeu".