Sabe aquela história de “geração que vai salvar o rock”? Tem lá Strokes, The Vines, Libertines e White Stripes. Pois então, mais uma banda desta legião de messias acaba de ter seu segundo álbum lançado no Brasil. Como os outros cavaleiros do novo rock, o quarteto novaiorquino Interpol não mudou um tiquinho sequer seu estilão e continua a mastigar Joy Division e outros ícones do pós-punk, como Echo and Bunnymen e Bauhaus.
Tudo bem, temos de admitir que um tiquinho foi mudado sim: as músicas do novo Antics são um pouco menos sombrias que as faixas do disco de estréia, Turn On the Bright Lights, de 2002. Um dos problemas principais do disco é a primeira faixa. Next Exit é arrastada e pouco original, o que causa uma má impressão logo de cara.
Se a paciência perdurar às músicas seguintes, a recompensa vem na quinta trilha. Slow Hands é um namoro com as facetas mais dançantes do pós-punk e uma boa lembrança de Talking Heads. Na inevitável comparação com o disco primogênito, Antics não traz momentos brilhantes. Não há uma Obstacle 1 ou Stella Was a Diver and She Was Always Down, mas a coesão permanece. E isso faz uma banda ir longe e angariar um verdadeiro exército de fãs, mesmo que não salve o rock.
Antics – Segundo CD da banda Interpol (Matador/Trama). 10 faixas. Preço médio: R$ 26.