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Instrumentos sob medida

Arquivo Geral

15/07/2003 0h00

Dentre os dicionários brasileiros, somente o Houaiss (na edição mais recente) traz o significado da palavra luthier. Sobre a origem, nada. Mas, afinal, de onde vem a palavra, o ofício e a magia desses escultores (ou fabricantes) de instrumentos musicais? Para começar, é necessário esclarecer que luthier é a pessoa que confecciona, constrói, monta e cria instrumentos. Dos mais eruditos, como violoncelo e harpa, aos mais populares, como violão e pandeiro.

Brasília tem alguns bons profissionais nessa área. Antenor Júnior é um deles. Músico da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (OSTNCS), é luthier de violino, viola e violoncelo e tem um ateliê no Conic. “Comecei observando o funcionamento dos instrumentos e me encantei com o que descobri. Aí, resolvi estudar e me especializar”, lembra.

Hoje, depois de um curso na Europa, Antenor faz uma média de dois instrumentos por ano. Cada violino custa cerca de R$ 6 mil; a viola, em média R$ 8 mil e o violoncelo, R$ 12 mil. Para ele, a fantasia de construir um instrumento está em entender e sentir a madeira e perceber como será o som. “Se pego um pedaço de madeira, preciso ver de que lado o vento batia quando ele ainda era uma árvore, pois isso vai fazer diferença na sonoridade”, explica o luthier.

E é por causa desses detalhes que tantos músicos preferem comprar instrumentos de luthiers, e não de fábricas. “Não tem jeito. Com o processo industrial das fábricas, alguns procedimentos sempre acabam sendo deixados de lado, como alguns detalhes da escultura interna do objeto”, completa Antenor.

O bandolinista Marcelo Lima, da banda Marambaia, concorda. “Nas fábricas, várias pessoas pegam no instrumento. O luthier não. Só ele, do início ao fim, cuida de tudo”, diz. “Quando nos tornamos profissionais, esses pequenos detalhes fazem muita diferença. Eles poupam o esforço do músico, que normalmente toca horas seguidas”, completa.

Mas, até que ponto dá para personalizar um instrumento? “Até que as exigências do cliente não interfiram no bom funcionamento do instrumento”, afirma Antenor. Nesses casos, até a estética precisa ser levada em considereção. “Alguns clientes pedem violas de cores esdrúxulas, que não dá para fazer. No máximo, um vermelho discreto”, diz.

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    15/07/2003 0h00

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    Brasília tem alguns bons profissionais nessa área. Antenor Júnior é um deles. Músico da Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro (OSTNCS), é luthier de violino, viola e violoncelo e tem um ateliê no Conic. “Comecei observando o funcionamento dos instrumentos e me encantei com o que descobri. Aí, resolvi estudar e me especializar”, lembra.

    Hoje, depois de um curso na Europa, Antenor faz uma média de dois instrumentos por ano. Cada violino custa cerca de R$ 6 mil; a viola, em média R$ 8 mil e o violoncelo, R$ 12 mil. Para ele, a fantasia de construir um instrumento está em entender e sentir a madeira e perceber como será o som. “Se pego um pedaço de madeira, preciso ver de que lado o vento batia quando ele ainda era uma árvore, pois isso vai fazer diferença na sonoridade”, explica o luthier.

    E é por causa desses detalhes que tantos músicos preferem comprar instrumentos de luthiers, e não de fábricas. “Não tem jeito. Com o processo industrial das fábricas, alguns procedimentos sempre acabam sendo deixados de lado, como alguns detalhes da escultura interna do objeto”, completa Antenor.

    O bandolinista Marcelo Lima, da banda Marambaia, concorda. “Nas fábricas, várias pessoas pegam no instrumento. O luthier não. Só ele, do início ao fim, cuida de tudo”, diz. “Quando nos tornamos profissionais, esses pequenos detalhes fazem muita diferença. Eles poupam o esforço do músico, que normalmente toca horas seguidas”, completa.

    Mas, até que ponto dá para personalizar um instrumento? “Até que as exigências do cliente não interfiram no bom funcionamento do instrumento”, afirma Antenor. Nesses casos, até a estética precisa ser levada em considereção. “Alguns clientes pedem violas de cores esdrúxulas, que não dá para fazer. No máximo, um vermelho discreto”, diz.

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