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Instrumentista Zé Menezes faz shows em Brasília

Arquivo Geral

09/05/2007 0h00

Na história do violão brasileiro, alguns nomes são indispensáveis. Dilermano Reis, o clássico; Garoto, o impetuoso; Baden Powell, o bossa-novista; Raphael Rabello, o gênio; e, hoje, Yamandú Costa, o prodígio são alguns deles. Ainda há um que não foi citado e, dificilmente, se encaixaria em qualquer das classificações apontadas. O violonista cearense é figura emérita dos processos de concepção do violão clássico de Dilermando, da modernização de Garoto e do dedilhado suave de Baden.

“Comigo é assim: vou tomando uma forma de composição de acordo com o tempo”, justifica o mestre multiinstrumentista José Menezes, que realiza temporada de shows no Clube do Choro.

Aos 85 anos de idade, Menezes merece todo o respeito das novas gerações, apesar de não lhe ser cabido um tratamento de “senhor” ou qualquer postura tradicional diante da música. “Dilermando fazia aquele violão brasileiro clássico, com melodias nossas, mas Garoto foi quem iniciou essa mudança e partiu para a renovação”, conta, animado, em bate-papo por telefone. “Embarquei nessa canoa também e acho que o jovem tem mais é que extravasar as idéias dele”.

Frase cabal do violonista decreta: “Existem dois tipos de música – a boa e a ruim.” Não é importante o instumento, nem mesmo o gênero. “Isso é muito relativo”, ensina. “Não adianta dizer para o jovem que a música boa é a do Pixinguinha, que para mim é o papa do chorinho. Ele pode achar outra coisa. Às vezes prefere ouvir sua própria música, que pode ser muito boa. Está havendo uma evolução muito grande”, pondera.

Para Menezes, sem referências diretas a qualquer artista em particular, os bandolinistas da nova geração representam o grande fôlego que o chorinho tem hoje: “Tenho feito aberturas de festivais mundo afora e tenho observado que o choro está em alta. Os bandolinistas, principalmente, estão interessados em ouvir e em compor. Os jovens estão levando a música mais a sério”.

Na bateria de shows que apresenta no Clube do Choro, o instrumentista vai do choro à gafieira e do jazz ao frevo. Em punhos, toca o violão tenor – o primeiro de sua pouco módica coleção particular de 15 instrumentos –, bandolim, violão quinto, viola de dez cordas, violão 7 cordas, banjo, cavaquinho e o clássico. “Se tiver corda, eu toco”, resume.

“O violão tenor foi o que me credenciou, me deu esse lugar ao sol”, diz o artista, que ainda se mostra gabaritado para assumir a guitarra elétrica. “Entro em estúdio no próximo mês para gravar um disco de gafieiras, lembrando os bons tempos do Rio de Janeiro e da Lapa (tradicional bairro boêmio carioca). Será um álbum dançante, com quarteto de metais e bateria. Eu faço a guitarra”.

Zé Menezes é um músico que não só esteve à frente de seu tempo, como nunca se esqueceu da importância de preservar esse equilíbrio. Em seu show, saúda personalidades como Garoto, Pixinguinha e o pouco lembrado (diante de sua grande relevância) K-Ximbinho.  “Vou lembrar alguns desses chorões. Lembrar K-Ximbinho e Luiz Americano, um monstro sagrado da nossa música que é muito pouco executado por aí”, reforça.

Não adianta pedir para Zé Menezes antecipar seu repertório ou explicar os fundamentos de sua música. Ele prefere não desfiar discursos sobre isso. E o arremate vem precioso: “Não gosto de falar sem o instrumento. Parece que a gente está mentindo. Eu mato a cobra e mostro o pau”.

Zé Menezes – De quarta a sexta-feira, às 21h30, no Clube do Choro (Eixo Monumental, próximo ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães). Ingressos a R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia).

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