Ela está de volta com sua famosa trilha sonora. Com ela, o atrapalhado inspetor Clouseau e mais uma aventura divertida. Estréia hoje o filme A Pantera Cor-de-Rosa, dirigido por Shawn Levy, uma refilmagem da clássica história dos personagens criados por Blake Edwards e Maurice Richlin. Desta vez, protagonizado pelo comediante Steve Martin, o filme garante boas risadas, mas não supera o inspetor imortalizado pelo inglês Peter Sellers.
No novo filme, um grande treinador de futebol é envenenado após vencer um jogo contra a China. Um anel de valor incalculável, com o famoso diamante conhecido como Pantera Cor-de-Rosa, é roubado. E o governo francês precisa de um gênio na investigação: o Inspetor Dreyfus (Kevin Kline) recruta Jacques Clouseau (Martin) para solucionar o caso.
Ele é um policial desajeitado, com dificuldades com a língua e destrambelhado, porém com um ego enorme. Na verdade, Dreyfus quer ganhar a medalha de honra e contrata Clouseau para que dê tudo errado na investigação.
Enquanto isso, Dreyfus monta uma equipe para solucionar o mistério da morte do treinador e coloca Ponton (Jean Reno), um investigador de sua confiança, para andar sempre ao lado de Clouseau e lhe contar tudo que o atrapalhado faz.
Entre os suspeitos estão a estrela Xânia (Beyoncé Knowles), noiva do treinador morto, um jogador de futebol e um assassino chinês.
Martin utilizou-se do humor corporal para compor o personagem. Clouseau se mantém sério e cheio de pose, enquanto provoca desastres com sua incapacidade de controlar os movimentos.
Com bigode fino, braços apoiados nos quadris como um soldadinho de chumbo, o Clouseau de Martin sugere uma versão refinada do Hitler de cabelos brancos de Chaplin. O sotaque francês arranca boas risadas na cena em que o inspetor tem aulas de inglês americano, para que possa viajar a Nova York e parecer um nativo da região.
Sem pretensão de copiar o antecessor, Martin, que também ajudou no roteiro, manteve os trejeitos do personagem, mas também inovou. A música de Henry Mancini, reciclada para essa seqüência, é a mesma e a rotina de abrir as cortinas para mostrar que ninguém está atrás delas lembra o inspetor de Sellers.
Martin protagoniza divertidas cenas de tombos, tropeços e uma aparente burrice. Clouseau sempre faz a coisa errada, mas se mostra um bom inspetor.
O título A Pantera Cor-de-Rosa refere-se a um diamante valioso. Quando criou o primeiro filme da série, em 1963, o diretor Blake Edwards resolveu inserir um desenho animado no início do filme e pediu a Friz Freleng e David DePatie que o criassem. Eles fizeram uma brincadeira, ao pé-da-letra, com o nome da jóia.
O inspetor Clouseau aparecia correndo atrás da pantera pintada com a cor rosa. A animação de 3,5 minutos, com a música de Mancini, ficou mais popular do que o filme e tornou-se padrão em todas as outras seqüências da série.
O inglês Peter Sellers deu vida ao inspetor Clouseau em seis filmes (de 1963 a 1982). A fama da história quase foi destruída quando o italiano Roberto Benigni resolveu filmá-la, atuando como o filho do inspetor, em 1993, em filme de fraca repercussão.