Esta é a primeira vez que será estabelecida uma política de prevenção no País, com intuito de reduzir em 20% a taxa da mortalidade por câncer de mama no Brasil. Em 2003, de acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), mais de nove mil mulheres morreram em decorrência da doença e 41 mil novos casos foram registrados.
A nova proposta do governo pretende que todas as mulheres acima de 50 anos façam a mamografia a cada dois anos e se submetam a exame clínico anualmente. As que tenham histórico familiar da doença devem fazer a mamografia todos os anos a partir dos 35 anos. Para cumprir a meta, o ministério deve anunciar a compra de mais mamógrafos. Hoje, apenas 9% dos municípios brasileiros possuem o aparelho, que custa US$ 150 mil.
O mastologista Cézar Augusto Pigatto explica que quando o nódulo é verificado pelo auto-exame já tem 0,5 centímetros e deve ter aproximadamente dois anos. “Não se consegue apalpar nada antes disso”, diz. “Às vezes, leva seis meses para uma mulher conseguir fazer a mamografia pelo Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza.
O auto-exame continuará sendo estimulado por possibilitar a detecção do câncer em mulheres fora da faixa etária de risco (acima dos 50 anos), descobrir outras doenças benignas da mama e ajudar mulheres que não têm acesso ao serviço de saúde.
O mastologista Maurício Cariello, de Brasília, destaca que o auto-exame deve continuar a ser praticado pelas mulheres. “O foco dessa nova estratégia do governo é estimular a realização das mamografias. O auto-exame tem sim seus resultados e as mulheres não podem deixar de ralizá-lo, sempre no mesmo período hormonal. O indicado é nos dias imediatamente depois do fim da menstruação”, explica Cariello.
O sistema de saúde do Distrito Federal está preparado para atender esse aumento da demanda, segundo o mastologista José Antônio Ribeiro, um dos integrantes da Comissão de Consenso do Programa de Controle do Câncer de Mama do Ministério da Saúde. “Temos oito mamógrafos e cada um deles tem capacidade para atender cerca de dez mil e oitocentas mulheres todos os anos”, afirma. Os aparelhos estarão espalhados por todo o DF e Entorno.