Cineasta mexicano radicado em Los Angeles desde os anos 90 e dono de uma relevante filmografia em Hollywood, Luis Mandoki (diretor de Encurralada, de 2002) coloca seu sangue latino a serviço da comovente história narrada em Vozes Inocentes, produção que estréia hoje no circuito nacional, com trilha sonora assinada pelo músico brasileiro ex-Karnak André Abujamra.
Mandoki construiu seu portifólio nos EUA, em cima de romances água-com-açúcar como Quando um Homem Ama Uma Mulher (com Meg Ryan), Uma Carta Para Você (com Kevin Costner) e Olhar de Anjo (com Jennifer Lopez).
Apesar disso, soube domar as rédeas de uma história que circula pelo cinema de guerra (a saber pelas cenas de batalha) e a ingenuidade dos personagens infantis da cinematografia iraniana. O ponto de partida é o pequeno Chava, de 11 anos, prestes a completar 12 e ingressando, portanto, na típica pré-adolescência.
O personagem nasceu da própria vivência do roteirista do filme, Oscar Torres, em meio à guerrilha civil salvadorenha que tirou a vida de 7.500 pessoas. A vida suburbana do garoto de classe baixa se compensava nas brincadeiras com os amigos, tempo que não pôde ser muito bem-aproveitado pelas crianças, condenadas ainda aos 12 anos a ingressar no serviço militar.
Em depoimento no press kit de divulgação do filme, o roteirista desabafa: “Não tinha medo de ser morto. Tinha medo de que minha mãe fosse. Tinha mais medo de ser recrutado à força para o exército e que não pudesse ser mais criança”. Os termos de Oscar Torres resumem a idéia central do filme. Não se trada da luta pela sobrevivência da vida, mas da infância que se esvaía nas trincheiras da guerrilha.