Apontado como um dos favoritos ao Oscar 2008, o filme Desejo e Reparação trata, sobretudo, da impossibilidade do amor. Baseado no best-seller de Ian McEwan (com o título em português de Reparação), nas telas, é dirigido por Joe Wright (Orgulho e Preconceito), novamente em parceria com Keira Knightley, no auge de sua carreira e trabalhando freneticamente nos últimos tempos.
Keira é Cecilia, uma jovem aristocrata e cheia de vontades da Inglaterra de meados dos anos 30 que se apaixona pelo filho da governanta, Robbie (James McAvoy, de O Último Rei da Escócia), com quem convive desde a infância.
Entre os dois existe Briony (que na primeira fase é interpretada por Saoirse Ronan, depois por Romola Garai aos 18 anos e por Vanessa Redgrave mais velha), uma garota de 13 anos que acredita que Robbie está fazendo mal a sua irmã Cecilia. Após uma série de mal-entendidos, ele é levado para a cadeia e Briony só faz piorar a situação do rapaz, ao declarar à polícia que viu coisas que somente imaginou.
Mas Briony não é má. É apenas uma criança imaginativa, que escreve peças e que, em decorrência de alguns fatos, é levada a criar sua própria realidade. Na época em que isso aconteceu, todavia, ela não tinha consciência do dano que causou a si própria, a Cecilia e a Robbie. Somente anos depois, ao se tornar uma célebre escritora, consegue mensurar o estrago. Tarde demais.
Atuações
O vai-e-volta de uma história contada de forma não-linear, ao contrário do que se pode imaginar, não confunde o espectador, mas sim, traz mais riquezas de detalhes e de visões diferentes dos mesmos fatos vividos, sobretudo por Briony.
Um dos defeitos é usar a guerra como pano de fundo para justificar a separação e a perda vividas pelos protagonistas. Mas como no cenário de um conflito, tudo é possível, as cenas vão além dos clichês: violência gratuita, sonhos que não irão se realizar e tudo aquilo que se vê sempre em filmes que tratam da guerra. Apesar disso, a adaptação traz um roteiro coeso, ótima fotografia e boas atuações.