“Meu avô morreu há 14 ou 15 anos e nunca tive tempo para perguntar a ele por que não se dava com Fleming”, comenta David Scaramanga, que hoje disse ser neto do inspirador do malvado Francisco Scaramanga no romance O homem da pistola de ouro (1965).
David Scaramanga, quem dirige uma empresa de táxis na localidade inglesa de Bath, sabe melhor que ninguém o que é ter herdado por via direta as antipatias do autor de um dos personagens literários mais populares.
“Cada vez que ficam sabendo meu sobrenome, as pessoas se lembram de Scaramanga (o personagem) e freqüentemente pergunta. Mas eu acho graça disso”, explicou em declarações à agência local “PA” o taxista, que se orgulha de compartilhar o sobrenome de um inimigo de Bond, qualquer que seja a razão que o tenha motivado.
Scaramanga, também conhecido como “Paco” ou “Pistols”, foi interpretado em 1974 na versão cinematográfica do romance pelo britânico Christopher Lee, que deu vida a um matador de aluguel de pai cubano e relacionado com o mundo do circo.
O verdadeiro Scaramanga e Fleming (1908-1964) estudaram no colégio Eton, um dos mais elitistas e reconhecidos do Reino Unido e onde, segundo várias biografias, o escritor não se adaptou, tanto que, aparentemente, foi expulso.
Desse período se supõe que Fleming se inspirou para criar algum outro personagem perverso de seus romances, como o careca malvado Ernst Stavro Blofeld, líder da organização Espectra e que aparecia no cinema acariciando um gato persa branco.
Este personagem foi inspirado em Thomas R. C. Blofeld, outro companheiro de estudos de Fleming e pai (já falecido) do comentarista de críquete Henry Blofeld, que afirma que seu progenitor e o escritor mantiveram uma relação “cordial”.
Inclusive o sobrenome do protagonista da saga, Bond, vem do responsável da seção de aves da Academia de Ciências Naturais da Filadélfia (EUA), um mundo, o da ornitologia, pelo qual Fleming sempre mostrou interesse.