Quem disse que hospital é somente um lugar de absoluto repouso? Pesquisas do Programa de Pós-graduação em Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) mostram que os exercícios sob acompanhamento de um profissional da Educação Física são benéficos para pacientes imobilizados e minimizam os efeitos do repouso em pessoas internadas por muito tempo nas enfermarias ortopédicas.
O que acontece normalmente é que pacientes acamados perdem o condicionamento físico, aumentam a freqüência cardíaca, reduzem o consumo de oxigênio e a força muscular, além de se tornarem alvos mais fáceis de escaras, trombose, mal-estar geral e depressão.
Por conta desses resultados nada agradáveis, a atividade física no hospital Sarah Kubitschek, em Brasília, já foi incorporada à rotina dos pacientes sob o comando da professora de educação física e doutoranda em Ciências da Saúde da UnB, Ana Cláudia Raposo de Melo. Ela é orientada pelo pesquisador associado da UnB, Ramón López.
Recuperação“O movimento em áreas adjacentes à área afetada aumenta a circulação no local com problema, acelera o processo de recuperação e diminui a atrofia”, explica López. Além disso, os resultados não ficam restritos à área exercitada, estendem-se a todo o corpo, melhoram o humor e aumentam o apetite.
Um dos estudos realizados por Ana Cláudia testou dez pacientes imobilizados no Sarah (oito homens e duas mulheres) que faziam atividade física e dez pacientes imobilizados internados no Hospital Regional de Taguatinga (HRT), que não faziam atividades.
O resultado de uma hora de atividade, durante quatro dias da semana, nos membros inferiores não imobilizados, nos superiores, no abdome e no tronco, foi positivo para o tratamento, pois aumentou a força e a resistência muscular. Naturalmente, as pessoas faziam exercícios dentro de seus limites, pois vários utilizavam aparelhos nos membros inferiores e todos estavam acamados.
Ao final das sessões, os pacientes que fizeram exercícios diminuíram as dobras cutâneas (gorduras) e aumentaram os perímetros das circunferências (braços, panturrilha, coxa, antebraço). “Quando há aumento do perímetro e a dobra cutânea diminui é sinal de hipertrofia muscular, o que provoca aumento da força muscular”, esclarece López.
Pelo exame da pressão nas mãos, comprovou-se que a força nessa parte do corpo aumentou. Além disso, aqueles que fizeram atividade física diminuíram a freqüência cardíaca e aumentaram o consumo de oxigênio, o que pode significar aumento do condicionamento físico. Os pacientes ativos também relataram menos dores e mais qualidade de vida.
Para López, a educação física em hospitais ainda é muito incipiente no Brasil. Essas atividades acontecem mais na área de cardiologia, onde os pacientes, em geral não mais acamadas, fazem exercícios bem mais lentos e caminhadas.