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Histórias na pressão

Arquivo Geral

11/04/2005 0h00

Pobreza, riqueza, fama, ostracismo, brigas, crimes e tráfico de drogas. Sortido o pacote, não? Em 279 páginas, o jornalista Silvio Essinger mergulha de cabeça no que classifica como ritmo proibido. Num minucioso trabalho de apuração, Batidão — Uma história do funk (Record, R$ 42,90), conta em detalhes as três décadas do movimento no Rio. Desde quando Furacão 2000 tocava heavy metal, em meados dos anos 70.

O livro traz novidades, confissões e toca na ferida do Casal 20 do funk, Rômulo e Verônica Costa, separados há dois anos pela terceira vez. Verônica, a Mãe do Funk, diz que se separou porque ele a agrediu.

Claudinho e Buchecha, que formaram uma das duplas de maior sucesso, também merecem destaque. O livro traz novidades sobre eles e conta que Buchecha preferia o pandeiro e não gostava de funk. Mas entrou na onda e surfou bonito.

Bom de briga Cidinho e Doca são crias da Cidade de Deus, a famosa favela da Zona Oeste carioca que produziu dezenas de MCs. A dupla despontou com o Rap da Felicidade, chegando a participar do Criança Esperança.

Enquanto Buchecha relutava em cantar funk ao lado de Claudinho, sonhando com uma carreira no mundo do samba, um famoso sambista fez o caminho inverso para chegar ao estrelato. Uma das curiosas revelações de Batidão é a de que o franzino Dudu Nobre era chegado a um baile em que as confusões pareciam ser a maior diversão.

Esta passagem está em meados dos anos 90. Morador do Flamengo, o sambista namorava uma menina da Praça Seca. E junto a sua galera, ele partia para o confronto em clubes como o Country, em Jacarepaguá, e o CCIP de Pilares. “Dudu Nobre foi uma das minhas fontes para descrever as situações críticas dos bailes nos anos 90”, resume Silvio Essinger.

MC no tráfico As brigas — para muitos, originárias dos famosos concursos de galera promovidos pela Furacão 2000 — logo ficaram incontroláveis. Os chamados bailes de corredor ganharam força entre 1997 e 1999, época em que uma reportagem de O Globo faz um balanço de cem mortes em 12 meses.

A relação dos MCs com o tráfico de drogas também é abordada. Tanto nos chamados Proibidões quanto em um relato sincero de um conhecido MC, Mascote, que admite ter segurado um fuzil para fazer a segurança de uma boca-de-fumo. “Mas nunca vendi nada nem matei ninguém”.

O jornalista explica que, com o livro, tentou preencher um vazio que existia sobre um tema tão rico quanto polêmico. “Sempre acompanhei o funk de longe”, conta. “Ouvia mais as confusões e nada sobre os artistas ou das partes que movimentavam aquela massa. Achei que ainda não tinha um trabalho que contasse a história da maneira que ela merecia”.

Não seja por isso. No que depender do empenho do autor, Batidão surge para preencher esta lacuna. E, quem sabe, para ser o primeiro livro de uma série dedicada aos bastidores de um mundo tão diversificado como o funk.

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    O livro traz novidades, confissões e toca na ferida do Casal 20 do funk, Rômulo e Verônica Costa, separados há dois anos pela terceira vez. Verônica, a Mãe do Funk, diz que se separou porque ele a agrediu.

    Claudinho e Buchecha, que formaram uma das duplas de maior sucesso, também merecem destaque. O livro traz novidades sobre eles e conta que Buchecha preferia o pandeiro e não gostava de funk. Mas entrou na onda e surfou bonito.

    Bom de briga Cidinho e Doca são crias da Cidade de Deus, a famosa favela da Zona Oeste carioca que produziu dezenas de MCs. A dupla despontou com o Rap da Felicidade, chegando a participar do Criança Esperança.

    Enquanto Buchecha relutava em cantar funk ao lado de Claudinho, sonhando com uma carreira no mundo do samba, um famoso sambista fez o caminho inverso para chegar ao estrelato. Uma das curiosas revelações de Batidão é a de que o franzino Dudu Nobre era chegado a um baile em que as confusões pareciam ser a maior diversão.

    Esta passagem está em meados dos anos 90. Morador do Flamengo, o sambista namorava uma menina da Praça Seca. E junto a sua galera, ele partia para o confronto em clubes como o Country, em Jacarepaguá, e o CCIP de Pilares. “Dudu Nobre foi uma das minhas fontes para descrever as situações críticas dos bailes nos anos 90”, resume Silvio Essinger.

    MC no tráfico As brigas — para muitos, originárias dos famosos concursos de galera promovidos pela Furacão 2000 — logo ficaram incontroláveis. Os chamados bailes de corredor ganharam força entre 1997 e 1999, época em que uma reportagem de O Globo faz um balanço de cem mortes em 12 meses.

    A relação dos MCs com o tráfico de drogas também é abordada. Tanto nos chamados Proibidões quanto em um relato sincero de um conhecido MC, Mascote, que admite ter segurado um fuzil para fazer a segurança de uma boca-de-fumo. “Mas nunca vendi nada nem matei ninguém”.

    O jornalista explica que, com o livro, tentou preencher um vazio que existia sobre um tema tão rico quanto polêmico. “Sempre acompanhei o funk de longe”, conta. “Ouvia mais as confusões e nada sobre os artistas ou das partes que movimentavam aquela massa. Achei que ainda não tinha um trabalho que contasse a história da maneira que ela merecia”.

    Não seja por isso. No que depender do empenho do autor, Batidão surge para preencher esta lacuna. E, quem sabe, para ser o primeiro livro de uma série dedicada aos bastidores de um mundo tão diversificado como o funk.

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