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Halle Berry e Benicio Del Toro mostram como as pessoas podem se ajudar diante do drama da morte

Arquivo Geral

04/01/2008 0h00

A dor da perda de um ente querido é o principal tema do filme Coisas que Perdemos Pelo Caminho. Dirigido pela dinamarquesa Susanne Bier, o longa-metragem é um drama sensível estrelado por Halle Berry (Gothika – Na Companhia do Medo) e Benicio Del Toro (do elogiado 21 Gramas).

Na trama, Berry interpreta Audrey Burke, uma mulher que repentinamente fica viúva de Brian (David Duchovny, o Fox Mulder da série Arquivo X). Com dois filhos pequenos para criar e ainda sem compreender o que aconteceu, a mulher tenta reconstruir a vida depois de 11 anos de um sólido casamento feliz.

A solução para o recomeço parece surgir no melhor amigo do falecido, Jerry Sunborne (Del Toro), um viciado em heroína que, assim como Audrey, considerava Brian como uma das pessoas mais importantes do mundo. A trama foca o relacionamento entre os dois, que nada têm em comum exceto o amor e confiança que sentiam por Brian. Quando Audrey convida Jerry para morar em sua casa, é iniciado um processo de recuperação entre os dois. E ambos tentarão se consolar e encontrar a felicidade. E no caso de Jerry o processo é ainda mais complexo por causa dos esforços diários que ele tem para não ter uma recaída e voltar ao universo das drogas.

Elenco harmonioso
A escolha para o elenco foi acertada. Ambos atores já levaram um Oscar para casa e não decepcionam. Halle Berry se recupera bem como uma nova viúva depois do fiasco A Estranha Perfeita, mas quem se destaca mesmo é Benicio Del Toro. As crises de abstinência de Jerry impressionam pelo realismo e as rugas naturais do ator porto-riquenho contribuem para a comovente idéia de uma pessoa consumida pela dependência química.

Outro destaque da película é a fotografia. Com ângulos intimistas e muitos closes focando olhos lacrimejantes, o filme deixa clara a intenção de mostrar para o espectador os sentimentos e sofrimentos das personagens.

O roteiro, nas mãos erradas, poderia render um dramalhão mexicano. Mas a produção não é piegas e a dramaticidade nas cenas é convincente e bem-conduzida, dando espaço para os silêncios de luto e dolorosas lembranças (na forma de flashbacks que dão pistas de como era o casamento do casal).

A primeira parte da trama é permeada de recordações não-lineares sobre o cotidiano das personagens antes e depois da tragédia. Depois, o filme se preocupa em mostrar como a dupla de protagonistas interage entre si.

Os conflitos entre Jerry e Audrey transformam o filme numa experiência verdadeira e humana. E é justamente por não determinar mocinhos ou vilões que a trama ganha a raríssima qualidade de parecer verídica e envolver quem acompanha a história.

Quando for assistir a Coisas que Perdemos Pelo Caminho prepare-se para ver um longa-metragem dramático e inteligente. E também fique preparado para se emocionar com momentos embalados pela tocante trilha sonora de Johan Söderqvist, que conta com músicas do argentino Gustavo Santaolalla, compositor responsável pelas trilhas de Babel e O Segredo de Brokeback Mountain, ambas premiadas com o Oscar.

Recomendado para quem gosta de um bom drama, o filme é uma lição sobre a fragilidade das pessoas e como elas podem se ajudar.

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