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Guerrilha em primeiro plano no documentário <i>Caparaó</i>

Arquivo Geral

08/06/2007 0h00


Estréia hoje o documentário Caparaó, de Flavio Frederico, mesmo diretor de Urbania e Copacabana. Ganhador do Festival É Tudo Verdade de 2006 – mais importante do gênero na América Latina –, o longa-metragem vasculha a história pouco conhecida do primeiro grupo de guerrilha armado contra o regime militar, instaurado no Brasil em 1964.

Em agosto de 1966, o grupo formado por ex-sargentos e ex-marinheiros expurgados pelo regime se instalou  no alto da Serra do Caparaó – divisa do Espírito Santo com Minas Gerais.

Acampados por oito meses,  os guerrilheiros iniciaram um rigoroso treinamento militar, na tentativa de preparar o que seria o início de uma grande reação nacional contra o novo regime.

O documentário é lançado simultaneamente ao livro Caparaó: A Primeira Guerrilha Contra a Ditadura, resultado de dez anos de pesquisa do autor, o jornalista José Caldas da Costa. Aliás, Caldas teve participação crucial para a realização do filme. “Ele me deu o contato de todos os guerrilheiros”, conta Flavio.

“Decidi que precisava contar essa história, que é muito interessante. Se não fosse eu, ninguém faria”, afirma. Por três anos, o diretor se debruçou nos arquivos para descobrir mais sobre a Guerilha de Caparaó. “Logo de cara descobri que  os documentos oficiais não  eram nada confiáveis”, declara.

Por isso, não há narrador em off: a história  é contada unicamente por pessoas que participaram do evento. Foram entrevistados oito, dos 17 ex-guerilheiros, três ex-policiais militares que participaram da prisão do grupo e um membro da cúpula da organização de esquerda a que o grupo pertencia, o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR)  de Leonel Brizola – inicialmente, financiador do movimento.


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