Estréia hoje o documentário Caparaó, de Flavio Frederico, mesmo diretor de Urbania e Copacabana. Ganhador do Festival É Tudo Verdade de 2006 – mais importante do gênero na América Latina –, o longa-metragem vasculha a história pouco conhecida do primeiro grupo de guerrilha armado contra o regime militar, instaurado no Brasil em 1964.
Em agosto de 1966, o grupo formado por ex-sargentos e ex-marinheiros expurgados pelo regime se instalou no alto da Serra do Caparaó – divisa do Espírito Santo com Minas Gerais.
Acampados por oito meses, os guerrilheiros iniciaram um rigoroso treinamento militar, na tentativa de preparar o que seria o início de uma grande reação nacional contra o novo regime.
O documentário é lançado simultaneamente ao livro Caparaó: A Primeira Guerrilha Contra a Ditadura, resultado de dez anos de pesquisa do autor, o jornalista José Caldas da Costa. Aliás, Caldas teve participação crucial para a realização do filme. “Ele me deu o contato de todos os guerrilheiros”, conta Flavio.
“Decidi que precisava contar essa história, que é muito interessante. Se não fosse eu, ninguém faria”, afirma. Por três anos, o diretor se debruçou nos arquivos para descobrir mais sobre a Guerilha de Caparaó. “Logo de cara descobri que os documentos oficiais não eram nada confiáveis”, declara.
Por isso, não há narrador em off: a história é contada unicamente por pessoas que participaram do evento. Foram entrevistados oito, dos 17 ex-guerilheiros, três ex-policiais militares que participaram da prisão do grupo e um membro da cúpula da organização de esquerda a que o grupo pertencia, o Movimento Nacionalista Revolucionário (MNR) de Leonel Brizola – inicialmente, financiador do movimento.