Peça inédita no Brasil do dramaturgo irlandês George Bernard Shaw, Major Bárbara estréia no Teatro da Caixa, em montagem do consagrado Grupo Tapa, de São Paulo.
A peça é uma das mais montadas e discutidas do escritor, considerado um dos mais críticos e mordazes da dramaturgia de língua inglesa. Major Bárbara trata a miséria e a riqueza como partes de uma mesma realidade socioeconômica, permeando a história da personagem-título com questões como a religião e o belicismo.
Bárbara, filha de um milionário fabricante de armamamentos, é major do Exército da Salvação. Ao contrário da irmã – uma fútil menina da sociedade que tem por noivo um frívolo burguês –, Bárbara tem entre as suas preocupações a situação dos miseráveis.
George Bernard Shaw, nascido em Dublin em 1856, iniciou sua carreira como crítico de artes. Aos 20 anos, decidiu tornar-se escritor e embarcou para Londres. Durante os dez anos seguintes, viu todos os seus romances e artigos recusados pelos editores e jornais da cidade – talvez graças à ironia, à irreverente visão de mundo e ao constante questionamento da ordem estabelecida e de verdades tidas como absolutas.
O sucesso veio um pouco mais tarde. Ganhador do Prêmio Nobel de Literatura em 1925, Shaw consagrou-se no teatro com os clássicos A Profissão da Sra. Warren (1902) e Pigmalião (1913), que o tornariam conhecido do grande público.
Conhecido também pelo (então exótico) vegetarianismo e pela oratória brilhante, Shaw viu-se transformado em personalidade polêmica ao manifestar uma contida simpatia pelo stalinismo. Mesmo assim, a irreverência e o inconformismo o tornaram uma figura tão popular quanto suas peças teatrais. Famoso criador de frases de efeito, por exemplo, são dele as máxima “o castigo do mentiroso, além de ninguém acreditar nele, é ele não poder mais acreditar nos outros” e “presume-se que a mulher deve esperar, imóvel, até ser cortejada, mais ou menos como a aranha espera a mosca”.