A companhia carioca Intrépida Trupe mais uma vez não decepcionou. Na abertura da 13ª edição do Festival de Teatro de Curitiba (FTC), com o espetáculo Sonhos de Einstein, baseado no livro homônimo de Alan Lightmann, na quinta-feira, faltou espaço para eles. Um dos mais belos cartões-postais da cidade, a Ópera de Arame, onde a companhia se apresentou, parecia pequeno nas noites de quinta e de ontem, não apenas pelo grande número de espectadores, mas sobretudo por todas as peripécias praticadas pelos integrantes.
O mote era o desejo do homem de lidar com o tempo e as formas com que ele é percebido, mas o resultado foi desafiador, quase metafísico, intenso como o circo deve ser. E foi exatamente o que a companhia carioca fez com o teatro: espalhou balanços para a platéia se sentar durante a peça, colocou estruturas de ferro e aço nas quais deveriam se pendurar, se balançar e com o apoio de patins, mosquetões (apetrechos para prender o corpo a cordas na prática do rapel), uma eficiente iluminação e muito jogo de cintura. Criou um espetáculo que fala de Física sem ser chato, que fala de amor sem ser piegas e que incita o público a voar junto com eles, pelos arames da ópera.
Foram apenas duas apresentações, uma na quinta e outra ontem, que já deixaram saudade.
Outra promessa do festival é o espetáculo 100, da Imaginary Body Theatre Company de Londres, que tem apresentações hoje, amanhã e segunda. Inspirados na obra Cem Anos de Solidão, de Gabriel García Marquez, a peça coloca em cena cinco personagens que contracenam apenas com quatro grandes bambus e uma laranja. O argumento é forte: todos eles morreram, estão no limbo e para saírem de lá precisam escolher em suas vidas um momento, uma memória apenas que deve ser capturada em uma câmara mágica. A peça conta a dificuldade que eles (e todos nós) têm em selecionar esse único momento no emaranhado de situações que compõe nossas vidas.
Durante entrevista coletiva, a criadora do espetáculo, a curitibana Diene Petterle, naturalizada inglesa, disse que eles estão em turnê mundial há dois anos, já ganharam inúmeros prêmios, se apresentaram no Canadá, Austrália, Irlanda, Escócia e estas apresentações no FTC serão, a princípio as únicas na América Latina. “Um elemento muito interessante na montagem é que como ela trata de um tema universal, quase não há falas e tudo é facilmente compreendido. O público abstrai e cria, na sua mente, todo o cenário, que na realidade, fisicamente, não passa de quatro bambus e uma laranja. Brincamos com a criatividade do espectador. Com a precisão dos corpos e com a luz, os bambus transformam o cenário em uma floresta, um escritório, enfim”, diz Diene. A repórter viajou a convite da organização do festival