A cantora Paula Lima (ex-integrante do grupo Funk Como Lê Gusta) abre hoje a série Identidade Brasileira, um projeto que trará ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) alguns dos principais nomes da novíssima safra da música brasileira. O objetivo deste projeto é criar parcerias inéditas e apresentações solo de cantores de diferentes regiões que mantêm em seu trabalho elementos de sua cultura local. Uma “nova mistura” de ritmos, estilos e influências musicais, que resulta num rico intercâmbio cultural.
Serão 16 apresentações sendo 4 de cada módulo. Paula Lima, que abre a programação hoje à noite e fica em cartaz até domingo, no CCBB, iniciou sua carreira profissional em 98 com o grupo Funk Como Lê Gusta. Seu trabalho dá continuidade ao que podemos chamar de música paulista urbana mesclando samba, funk, soul e jazz.
Na próxima semana, entre os dias 14 e 17 de abril, se apresentam Lucas Santtana – filho do produtor tropicalista Roberto Santtana – e Davi Moraes – filho de Moraes Moreira. Lucas e Davi têm muito em comum. Ambos cresceram em meio à explosão e afirmação da cultura negra, e foram buscar tudo que influenciou essas manifestações. As percussões africana, cubana e brasileira; o movimento Black power dos guetos de Nova York; o reggae e o dub jamaicano e seus desdobramentos na cultura eletrônica e no hip hop. Os dois são multiinstrumentistas. O primeiro CD de Lucas ficou na lista dos dez melhores independentes de 2000, na análise do jornal The New York Times. O segundo disco, Parada de Lucas, também recebeu elogiosas críticas no Brasil e no exterior ganhando, inclusive, quatro estrelas da revista Down Beat.
Na seqüência da programação está a cantora Vanessa da Mata, que fará seu show de 21 a 24 de abril. No início da carreira, Vanessa foi convidada por Milton Nascimento para cantar em seu show. Com seu primeiro CD, que leva seu nome, produção de Jaques Morelenbaum e participação de Marcos Suzano, ela conquistou a crítica. São muitas as comparações com Marisa Monte. Além de sua belíssima voz, Vanessa compõe, e foi com Força que Nunca Seca na voz de Maria Bethânia, que concorreu ao Grammy Latino como melhor canção.
O projeto será encerrado por Max de Castro e Patrícia Marx, ambos em turnê de seus novos discos. “Brasília é uma dessas cidades onde sempre quis tocar, mas nunca era possível”, ressaltou Max em entrevista ao Jornal de Brasília. O compositor veio à capital uma única vez. Na ocasião, em 2001, lançou o álbum de estréia Samba Raro, num pocket-show gratuito na praça de alimentação do Conjunto Nacional, que se limitou a covers de Jorge Benjor, costurados por duas ou três composições de Samba Raro. “Agora, sim, será o primeiro show de verdade, com banda e com mais tempo”, avisa o artista. A cantora Patrícia Marx, com repertório renovado, voltado para a soul music, faz um show mais curto à parte e divide os vocais com Max de Castro em canção ainda a ser definida.