Quantos golpes serão precisos para quebrar de vez a banca? Quem imaginava que os 11 Homens e um Segredo de Seteven Soderbergh tinham enxugado até última gota de argumento restante em Hollywood para bolar um novo e brilhante golpe contra um cassino estava enganado. Ou não? Afinal, o que é este inédito Quebrando a Banca a não ser uma reciclagem da fórmula tão batida no cinema americano dos anos 1960, remodelada com algum sabor de criatividade na série de Soderbergh?
O filme de Robert Luketic (Legalmente Loira e A Sogra) é inspirado na história real narrada por um amigo do autor da façanha em questão, Ben Mezrich, no livro 21, que, aliás, é o título original da produção.
Quebrando a Banca pode ser lido como uma versão teen – moderada até em termos de desenvolvimento – de 11 Homens e um Novo Segredo. Ante de Las Vegas, a locação corrente é a high school dos fomandos Ben Campbell (o protagonista Jim Sturgess), Cam e Miles Connoly, três loosers prestes a começar carreira universitária, quebrados, nerds e, é claro, virgens.
Ben é um rapaz com talento nato para matemática, mas só chama atenção do professor de Equações Não-lineares, Mickey Rosa (vivido pelo experiente Kevin Spacey), ao final do curso, quando responde com propriedade uma pegadinha feita pelo docente.
Não tarda ao professor Rosa convocar Ben para um misterioso grupo de trabalho, composto por Fisher (Jacob Pitts), Choi (Aaron Yoo), Kianna (Liza Lapira) e, para a surpresa do mocinho, a menina mais desejada da sua classe, Jill Taylor (Kate Bosworth).
Essa turma secreta estuda matemática básica, por incrível que pareça. São jovens brilhantes, que colocam seu talento a serviço do mais famoso jogo dos cassinos de Las Vegas, o blackjack, ou 21. Mickey Rosa ensina os alunos a contar cartas, para vencer no jogo. Para justificar a “ilegalidade” desse tipo de prática nos cassinos, o diretor Luketic dá um pequeno exemplo: um rapaz é espancado pelas mãos do agente especializado em identificar trapaceiros Cole Williams (papel de Laurence Fishburne), para que nunca mais volte a contar cartas em seus cassinos.
No entanto, Rosa e seus alunos descobrem uma forma de fazer isso e não ser pegos. Ben, o personagem politicamente correto da trama, recusa entrar para o grupo no primeiro momento. Ele trabalha numa loja de acessórios masculinos por US$ 8, a hora, e o faz porque precisa de US$ 300 mil para custear a faculdade de medicina em Harvard. E ninguém menos do que Jill vai convencer o rapaz de que ele pode conseguir todo esse dinheiro em apenas alguns finais de semana de “trabalho” nos cassinos de Las Vegas. E é claro que ele aceita.
A trama segue, portanto, divertida, entre golpes, festinhas colegiais e algumas gags. Mas, o conteúdo da armação é prejudicada por excessos. Primeiramente, tudo é muito fácil na vida “complicada” do jovem protagonista. Seus dramas se resumem a conseguir uma bolsa para Harvard e não decepcionar seus melhores amigos num projeto de ciências.
No entanto, quando ele sente o sabor do dinheiro, tudo fica para segundo plano. E é aí mesmo que começa a série de equívocos de Leketic. Ele cria um mocinho, quase anti-herói, mas que parece nunca estar completamente convecido (ou convicente) de suas ações. É como se Danny Ocean (o personagem de George Clooney em 11 Homens…) não tivesse caráter e nem mesmo carisma. O último responde por sua imagem de bom-moço. E é isso que falta ao elenco e roteiro de Quebrando a Banca.